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Era Uma vez, só uma.

Era uma vez... uma menina que acreditava em conto de fadas, adorava chorar, mas tinha medo de sofrer. Escrevia um diário, tinha uma história, fazia sorrisos e guardava alegrias. Um dia ela saiu do seu quarto e descobriu que o mundo não é como seus olhos viam que as pessoas abraçam e mentem, que o tempo passa e machuca, que paixão fere, dói e cicatriza. Outro dia ela resolveu sair de casa e descobriu que tudo o que se pode sonhar ainda é pouco diante daquilo que há lá fora. Ela percebeu que as diferenças constroem a vida e que a vida é construída pelas diferentes pessoas que nela passam, ficam ou deixam. A menina viu que era pouco e resolveu sair por ai,descobriu então que se pode ter várias famílias ,mas que casa é só uma esteja onde estiver. Descobriu que dinheiro deixa felicidade, mas não compra o amor que preenche espaços. E de repente porque a menina acreditava em conto de fadas ele existiu, sem um final feliz já que não houve tempo de escrever muitas linhas de uma grande história. A menina então teve que voltar para o seu quarto, os dias vieram, as estações mudaram e ela aprendeu que palavras não são promessas, que beijos não são planos e que fogo em palha apaga rápido. Seu medo de sofrer se desfez, já que riscos, sonhos e desejos são para os que não temem, viu que chorar acalma a alma, mas não diminui distância e que saudade é deixar presente aquilo que já se fez lembrança.Viu que contos de fadas realmente existem, mas que é preciso entender que o ponto final talvez estivesse no dia que se imaginou ter sido só mais uma virgula. Era uma vez...


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