Era uma vez... uma menina que acreditava em conto de fadas, adorava chorar, mas tinha medo de sofrer. Escrevia um diário, tinha uma história, fazia sorrisos e guardava alegrias. Um dia ela saiu do seu quarto e descobriu que o mundo não é como seus olhos viam que as pessoas abraçam e mentem, que o tempo passa e machuca, que paixão fere, dói e cicatriza. Outro dia ela resolveu sair de casa e descobriu que tudo o que se pode sonhar ainda é pouco diante daquilo que há lá fora. Ela percebeu que as diferenças constroem a vida e que a vida é construída pelas diferentes pessoas que nela passam, ficam ou deixam. A menina viu que era pouco e resolveu sair por ai,descobriu então que se pode ter várias famílias ,mas que casa é só uma esteja onde estiver. Descobriu que dinheiro deixa felicidade, mas não compra o amor que preenche espaços. E de repente porque a menina acreditava em conto de fadas ele existiu, sem um final feliz já que não houve tempo de escrever muitas linhas de uma grande história. A menina então teve que voltar para o seu quarto, os dias vieram, as estações mudaram e ela aprendeu que palavras não são promessas, que beijos não são planos e que fogo em palha apaga rápido. Seu medo de sofrer se desfez, já que riscos, sonhos e desejos são para os que não temem, viu que chorar acalma a alma, mas não diminui distância e que saudade é deixar presente aquilo que já se fez lembrança.Viu que contos de fadas realmente existem, mas que é preciso entender que o ponto final talvez estivesse no dia que se imaginou ter sido só mais uma virgula. Era uma vez...
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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