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Mostrando postagens de outubro, 2012

Sobre Viagem

O mundo lá fora é muito bonito, mas não é real ainda pra mim. Havia pessoas,chuva, granizo,sol, livros e café. Falava-se de dinheiro, viagens, amor e tanta música tocava. E como um conto de fadas, era eu a pequena menina em um sonho, no qual eu me perdi com um brilho nos olhos. Cadeiras puxadas, velas acesas, a doce companhia e o vento soprou como se eu tivesse que voltar e eu tive. O intelectual meio dissolve-se friamente nos sentimentos que se passam em nós. Não há teorias ou teses que explicam amizades, reencontros e despedidas não acertadas. Nos dias cinzas de frio eu sentia calor, por estar ali onde eu me detive a ver a multidão de pessoas ao redor. E como se fosse difícil demais eu ficar encantada com a beleza dos gestos, afetos e traços das linhas da vida. Eu me entretive a observar, absorver e transbordar na inundação que se criou em volta. O mundo lá fora é muito bonito, mas é surreal ainda pra mim.

Sobra de Hoje

Hoje não há planos, há uma leve marca no rosto de alguns tempos que se passaram por mim. Ri o quanto pude, chorei por quase tudo, e o que se leva da vida? As rugas na cara, o cabelo branco, as pernas cansadas, os sapatos no armário. Brinquei de ver desenho em nuvens, mas queria mais algodão doce. Sentei no colo de mãe, mas podia mesmo era nunca ter saído de perto. Fiz uma estrada com voltas, curvas e a passos largos eu quis ganhar o mundo. Sonhei ter filhos, uma casa de campo e um amor infinito. Não há príncipe e nem cavalo branco. E por que enganam as crianças? Não é que eu esteja triste, apenas há vida demais em mim. O medo tem codínome futuro. Vem disfarçado de incertas palmas, uma bela platéia e um ator principal. Um jogo, um teatro, uma voz, tantas músicas com festa ou silêncio, o efêmero vulto da vida passa. Chegam os anos, os meses, o casamento e as separações de roupa, comida e alma. E quem teve sossego? Apontamos  para o lado, olhamos pra outro e então, há o vazio. Não é ...

Tempestade

Há previsão de tempestade dentro e fora de mim. Não é leve, não eleve sua voz. Não me contenha, não amarre minhas mãos. Não há como ferir mais do que aquilo que eu carrego. E vivendo em uma eterna inconsistência de mim, o meu inconsciente grita pela paz que você não carrega. Uma breve pausa e um café pra acordar, de que? Do sonho que nos últimos tempos eu não tenho tido ou repetido. Não me solta pelo mundo, pois eu não pretendo voltar. Não me guarde na sua caixa, pois eu vou sair sem olhar pra trás. Jogando tudo fora, para o alto e pra sempre. Há uma felicidade que não guardamos, nós dispomos, dividimos ou repassamos. A tua passagem parece não mais causar qualquer causa imprevisível. Eu me proponho à tempestade e você se propondo a chuva fraca.

Dois ou Três

Dois amores, dois vastos sentimentos, as entranhas movem-se, a pele esfria, a mão treme. A necessária escolha move ao contrário do meu ser, aquilo que eu mais desejo. E como se eu pudesse entrar em uma vida que nunca foi minha, abrir a porta da sua casa e fazer dos seus dias os meus melhores feitos. E na sua respiração ofegante me deleitar em um constante êxtase de afeto incompreensível pela sua mente. E do desejo faz-se o medo da distância. O não querer da limitação de um tempo passageiro, efêmero como suas mãos por mim. Dois amores, dois vastos sentimentos, as lágrimas movem-se, a poesia se cria, o abraço esquenta. O ato de saudade, a possibilidade entendida como agora. Como se eu já tivesse entrado na sua vida, bagunçado suas palavras e conhecido o mais intimo da mínima parte do seu eu. E a sua vergonha se dissipa e se disponha a minha frente, nua e  crua como viemos parar aqui. São dois opostos,dois mundos no meu enfim, mas que fim? Não erre a conta, são três vastos senti...

O contrário

E pra quem vai ser sempre indiferente não importa qual o dia. Não importa minha saúde ou alegria. E como os pássaros vem ao céu, eu vim à você, meia volta e você disse não acreditar. E não há risos, festa ou música, fiquei a espera do que deixou de vir. E na divisão de dois em um, somos anormais na nossa pretensão, ou não? E não seria eu se não fosse como é, mediante os meus fatos e desafetos. Deixando cabelos soltos, braços abertos e como uma não explicação da matéria e forma somos nós,ou talvez? E talvez você queira não desejar o que faz feliz, mas por mim o mundo pode até acabar, eu fiz. Eu me coloquei a sua frente, levemente sem pudor ou agonia, e agora? E agora, talvez ou não importa, a indiferença do nunca perceber, o todo da meia volta do seu lado, o lado oposto, o contrário.

O Mar do Sertão

O mar me deixou sem jeito. Levou meus sonhos em ondas e me tornou um grão de areia. Eu me fiz parte de uma terra que faz parte do meu ser. O vento aqui não sopra como lá, os amores daqui não são como os de lá, do céu não caem gotas pra invadir todo um sertão. O mar era como a imensidão de um desejo, não se sabe nem porque, nem de que, nem de quem. Não há alguém, há todo o infinito, o tempo, a essência, como uma intrínseca vontade de estar viva em um só lugar, de uma só maneira. Que o universo conspire em favor das voltas dos meus passos, envoltos nas conchas da praia. Que seja sol, sal, azul, que o caminho seja curto  de uma  longa alegria.

A Vida feito o Trem

No passo apressado eu me perdi de você. Acho que a gente nunca se encontrou nessa vida. Não pude me despedir, não houve momento breve, suspiro profundo e coisas assim. A fala se perdeu nesse meio termo que há entre você e o resto. Não é quente, não é frio, é morno. Mas, me diga é como pouco sal e pouca açúcar. Não é doce, nada salgado e nem ao menos amargo, o que eu sentiria então? Como algo agridoce? Como uma mistura? Ou como o nada? Eu não repreendo, não julgo, não aponto, mas lamento o esperar de querer muito,quase tudo, do pouco, profundo e igual. Você não viu? O trem passou, a chuva caiu, o sinal abriu, eu me fui e você ficou parado aí, olhando a banda passar. Contando quem sabe nos dedos, as desordens que eu causei. Mas, me diga amor o que acontece? Abra os olhos antes que o dia amanheça, não conte com os anos que vem, eles são traiçoeiros e os meus planos também. Corra, o trem  passa de novo quem sabe, um dia qualquer, sem avisar.