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Mostrando postagens de 2013

Quase Amor

Eu tinha amor. Tinha amor no mar. No mar tinha vida. Na vida tem saudade. Na saudade tem sempre despedida. Na despedida o avião. No avião tem o céu. No céu a luz. Na luz tinha sol. No sol sempre há cor. Na cor tem música. Na música uma letra. Na letra uma carta. Nas cartas meu futuro. No futuro meu passado. No passado, poesia. Poesia é amor. Amor tinha nome. O nome é a sorte.

A Fatia do Bolo

Um brinde aos relacionamentos, amorosos, amigáveis, descontrolados, com a sua medida, a medida da loucura que é amar alguém que não é você próprio. Meu caro, vamos lá você é um ser, sozinho, ninguém sente a sua dor, a sua alegria é manifesta através de terminações nervosas, por isso não adianta sorrir, eu realmente não sei o que você sente. E pra falar bem a verdade, não me importa muito. Desculpa, mas repare que a gente vive, vinte, trinta, quarenta anos sem ele/ela os dois ou mais, e de repente, não mais que de repente, como escreve Vinicius, a gente diz que ama. Ama, o que?! A presença que não era presente e que agora tem nome e endereço ou ama a necessidade de amar alguém?! Completude é um conceito filosófico, mas, que não precisamos andar muito pra ver o seu contrário esboçado no rosto dessa gente toda que falta um pedaço, que falta a tampa, que falta a alma. Eu também era metade e continuo sendo, mas não que isso denote falta é apenas o meio do que será inteiro, inteiro amor, se...

Essência

Eu sou luz acende, apaga, assopra e queima. Eu sou folha que o vento leva e não volta mais. Eu era música, poema ritmado, métrica falha com o mundo. Eu sou ato, potência, o movimento dos corpos na dança dos fatos. O ser e o não-ser em uma essência disposta ao oposto. Eu era amor, eu fui saudade, eu sou lembrança viva em uma vida sem mar. Era sol, era domingo, eram livros e sorvete, em Recife e o carnaval. O avião e as nuvens, eu quero chuva e o trovão com a tempestade em copo d'água. Eu tive sorte, a tua prosa, o teu caminho, eram meus. Os outros eram azar. Eu sou a prova, o provador, caça em dia de presa, solta sem rumo, amarrada no passado, passageiro do trem. Eu sou louca na sua calma, eu fui menina no teu abraço, alegria no teu rosto. Eu sou a dor da sua falta, o espaço vazio que não se ocupa, não se mede, e é assim que cabe tudo ou ninguém. Portanto,eu sou sujeito, na esquina, a deriva, além, pra quem? Eu era alma, eu sou corpo, os olhos do mundo, balanço do temp...

Estação

O contrário do contraditório  é o que concorda, deve ser filosofia ou não discorda? as avessas é o nosso amor amargo, doce, ácido, limão, abacaxi é chegada a primavera  há chuva lá fora e o escuro me dê luz, me deixe as claras, as neves também   o prato está vazio e a boca cheia meu coração aflito, bate, bateu a porta, você saiu não estou roendo as unhas meu vestido molhou, abre o guarda-chuva; não corre, ah eu tô perdida. eu perdi o jogo e porque você ganhou. a estação mudou, a música é a mesma, o ritmo lento, rápido, para  tem cores no céu, pinta os desenhos o trem vai te esperar, sem pressa pega o próximo vagão no fim da estação, parada no banco meio cansada, as palavras guardadas  com as mãos dadas pra próxima curva,  quem sabe depois da primavera, venha o nosso verão.  

Quebra Cabeça

Era domingo ou era segunda, tanto faz. Lá fora tinham carros passando, apressados pelo tempo que passa violento, cortando a nossa pele e todos os nossos sonhos; abri então a janela, sempre amei janelas, porque elas são a representação da liberdade; o vento soprou um ruído de alma perdida em meio a multidão de toda essa gente lá fora. Gente que ama sem saber direito o que, gente que trai, que engana, que não se perdoa, que chora todo o dia, que ri de tudo ou de quase nada, um tipo de gente assim como eu ou como você. Mas, Pra que? Pra que trair e amar um engano, pra que chorar antes e rir de si, pra que perdoar o erro que não foi seu.Não há filosofia pra isso e nem  livros de princesas que dê final feliz a toda essa confusão que virou o mundo. A minha mentira tornou-se a tua verdade, o riso não tem graça, o grito não tem som, a palavra não tem voz, a traição é o vazio, o amor é conceito,  a música tá sem melodia, a poesia sem letra, o príncipe sem cavalo (e ele vai se atrasar)...

Prazo Final

Não me leve a mal, mas você diz sonhar comigo, diz gostar de mim, mas desculpa moço eu não acredito em você. O dia acordou chuvoso hoje, eu não quis levantar, porque minhas cobertas sempre me dão segurança desde pequena, toda aquela que eu não tenho do seu lado e de mais ninguém, porque eu tenho medo de escuro, eu tenho medo da vida. Difícil é ter saído de casa, ter deixado a comida da minha mãe, ter visto o sol sumir depressa, a distância levar o meu amor e o meu batom vermelho sair beijando alguém por aí. Nenhuma peça deste quebra- cabeça que é existir se encaixa sem me machucar, sem me perturbar. As cicatrizes ainda doem, uma dor assim, dentro de mim, onde você não vê, sua mão não toca. É estranho ainda pra mim, habitante disso aqui andar por aí e ver como todas as pessoas vem com data de validade; umas mais expostas, escritas na cara e na coragem de ir embora  assim que chegar seu prazo final. Outras são mais tímidas, dizem que querem ficar, aconchegam-se e dormem, mas você sa...

Janela

Abre essa cortina, deixa o sol entrar, deixa esse cabelo solto; observa o todo, torna as possibilidades reais, abraça o mundo, corre esse caminho, abandona tudo e recomeça. Sorri, chora e abraça. Não se cansa, não abaixa esses olhos pra toda essa beleza ai de frente. Eu quero dançar todas as músicas do mundo, quero mais noites acordadas e aquela música, quero um fim de semana todo dia, e pra que o resto? Resta toda uma tristeza de você não ser o que eu estava procurando. Porque a procura é insanamente incessante, este vazio aqui em mim está cheio de pouco, porque o que eu quero é tudo aquilo que ainda não tem sobrenome. Não me venha com as cervejas baratas de sempre, a conversa não tá pra isso, a desordem é geral, a bagunça é na tua vida, porque aqui tá tudo como é a minha casa, objetivamente no lugar, no espaço perdido do vácuo em silêncio, que eu imaginei todo o tempo. Me solta e não se atreva a tentar me seduzir mais. Eu tô aqui no meu canto, planejando o próximo passo dessa vida r...

Tropeço de Mim

Ai! eu tropecei e você não tava lá pra me ajudar. Eu tava andando na rua e de repente eu te vi; pensei assim: lá vem aquele menino chato de novo, aquele menino bonito, não eu não pensei isso, mas tava vindo,você. Eu tava 'percebendo-se' em mim e despercebida da vida, dessas coisas todas que cercam, todas juntas em uma só, que dançam no universo segundo a música que eu canto toda a manhã quando eu acordo e você tá lá. E quando você não tá? Eu não canto. Eu não tô cantando, eu tô só contando as linhas que descrevem a minha filosofia e não a sua história. Não olha assim pra mim, eu não gosto. Meu desgosto é que o tempo não deixa a gente dormir,sabe. Abri a janela e o dia tava lindo, mas e se tudo der errado? Não vai, porque você promete que não vai? Fica mais,só mais um pouquinho. Espera e não adivinha a próxima frase. Para, não é assim, você tá cantando errado, você tá andando errado, você devia correr, agora não mais. O plano não era esse, o ano não era propício, as datas estav...

Derramado

Eu estava tentando escrever um poema bonito, que falasse de gente bonita, de coisa alegre; mas ai de repente cai uma lágrima , salgada e fria; eu lembrei então, por que a gente chora? Porque a mãe negou o doce, porque o remédio é ruim, porque o mundo ensina e você se machuca, porque o amor não existe, porque o príncipe é sapo, porque a vida é curta, porque a vida é dura, porque dura tanto? Minha mãe sempre dizia: Menina, para de chorar pelo leite derramado; mas quem deixou essa porcaria de leite derramar e sujar o meu chão? É um filme bonito, é um livro comprido, é o personagem querido, é a poesia bem feita, é a música perfeita, é o aeroporto e o avião, é o mar e Recife, são os estados no meio, sou eu aqui e ele lá. Mas me diz por que chorar? Porque eu me perdi , porque isso aqui não é meu, porque a ferida abriu, porque a luz apagou e a festa disseram ai que acabou, acabou de começar; pra você, não é? Mas, eu não quero dançar, não com você, vai embora, eu vou dançar sozinha, eu vou da...

Mal de estar

Estou sentindo um mal estar, mas não é daqueles que médico cura e nem que um chá resolve. É uma coisa assim subjetiva, sabe moço?! Um negócio aqui, bem aqui dentro,mas não sei bem onde, porque não é no pé, nem na cabeça. Não tem livro que esclarece; pode até descrever o mal estar dos outros, mas o meu só eu sei, porque cada um sabe do seu, eu acho. Não adianta eu botar adjetivos, porque nenhum é do tamanho que precisa ser, faz de conta assim que é uma coisa que dói, mas também não dói as vezes, as vezes só incomoda mesmo sabe, incomoda porque não dá pra pensar sobre, já que eu não sei o que é, mas se eu não sei o que é, porque eu tô falando disso? Eu tô confusa agora, mas antes também eu estava, na verdade eu sempre estive. É um paradoxo tudo isso ai ou seria apenas mais uma metáfora?! Moço não tem quem me ajude nesse mundo, porque ninguém está dentro, aqui dentro pra ver, você entende? Acho que se eu dormir  passa até amanhã, amanhã de manhã quem sabe passe pra sempre ou até daqu...

A Campainha do Mundo

De repente a campainha toca, mas eu tô com uma preguiça de levantar daqui, eu tô com preguiça da cidade lá de fora, eu tô com preguiça dos conceitos pré - estabelecidos, da sua moral barata, do shopping lotado de gente vazia. Eu tô fechada pra você, tô chata pra visita, tô sem papo por hoje, eu tô quieta sim, porque o romance já não comove, o poema não sai e a casa tá cheia. Eu bato palmas sem saber, eu sei o que não devia comentar, o mundo é um show de ingresso caro e a gente paga com a vida pra viver aqui. E quem será que a gente tenta enganar? É claro que Papai Noel não existe, que ficar rico a gente não vai, que sentir algo assim e não gritar é enganar a si mesmo, mas minha mãe me enganou quando disse que o remédio era bom, que injeção não doía. O mundo engana, a gente tenta enganar o mundo, o mundo dos outros e o nosso; assim o príncipe vira sapo, o sapo some, a princesa chora, as lágrimas secam, vira mocinha, que não lê contos de fadas, que não tem medo de escuro e que de repent...

A Dor de Não Ser

Toda a música que toca aqui não combina com você; não adianta o seu cabelo não combina com o meu, a sua mão não se encaixa na minha, as coisas que eu digo ficam pairando no ar, porque quem há de entender? Não tem sol, não tem céu pra tanto pensamento sem razão de ser. Por que a gente pensa tanto em tudo? Pensar demais em certas coisas dói, dói porque a gente lembra que a vida é preto e branco e tem desejo de colorir. As coisas estão caras, as contas estão ai pra serem pagas, o texto é pra amanhã e o resto da vida está ai pra ser cumprido, todo dia, a cada dia que passa, voa e a gente nem tem mais tempo pra olhar. As frutas apodrecem, os amigos casam, o mundo gira, minha pele envelhece e eu continuo pensando em tudo aquilo que é ou tem razão de não ser. E de repente a gente tem só lembrança, tem só memória, tem só passado e não tem agora. Se a música não combina troca, se o cabelo não combina corta, fecha o olho, vira para o lado, se a mão não se encaixa, não dê a mão, abraça e solta, ...

O Dia dos Casais

Acordei com dor de dente, tomei remédios a semana toda e vi que o sol já estava alto demais pra ser cedo, poxa perdi a hora! Eu nunca perco nada, nunca perco a ordem, a incoerência, a pressa, a loucura que as pessoas insistem em atrelar ao meu ser, mas gente pra viver é necessário um pouco de tudo que há no mundo e assim a gente se transforma em algo com muitas caras e bocas, um pouco louco quem sabe. Mas enfim, o tal do calendário insistia em me mostrar que era dia dos casais, não, não era dos casais, era dos namorados, mas alguém me explica porque não é dos casais? Sempre achei que meus pais formam um casal bem mais apaixonado que qualquer casal de (apenas) namorados; desses que desfila por aí de mãozinha dada, dá presente, mas não se dá ao outro;  eu lembro de mainha que se deu a uma relação que já tem 29 anos, deu juventude,beleza,força ao outro e depois a nós.  Pra mim essa 'coisa' que os 'apaixonados' intitulam de amor que vem 'materializada' em bombons, ...

Alheio de Mim

Não estamos sós, já não somos um, estamos face a face com o vazio de ser algo que nunca sabemos o que é. Estamos presos aos conceitos pré-definidos pelas ciências exatas, humanas ou da nossa moral que se diz desviada dos nossos pais. Planejando o futuro de ser feliz pra sempre, esqueço da alegria por agora, e dos 'agoras' que se fazem os amanhãs, os anos afins. Estampado na cara os sorrisos bonitos,as  filosofias baratas e os sentimentos comprados nas lojas da esquina. As relações mudaram o foco, os fatos, os pronomes se tornaram possessivos, somos dos outros para observação, investigação e deleite. Mas, quem me tomou de mim? De assalto perdi meu lugar no mundo; quis então tomar posse do alheio; a auto - afirmação em si de mim no outro. Mas, quem deixou ser tomado? Todos os vazios de si que não sabem o que são, presos, perdidos quem sabe, em outros alheios.

Obrigado

Despercebida eu me ative a pensar em quanto tempo eu passo do lado errado da rua, do lado errado da cama, do lado errado da gente. O problema é ter o parâmetro real para afirmar sobre o certo e errado, sobre as verdades de valor absoluto, se é que elas existem, se é que tudo não passa de subjetivo, sonho e cor. Andei reparando em como as músicas que ouço não combinam com os 'amores' de ultimamente, elas não formam a sincronia perfeita pra a minha dança desajeitada. As palavras andam me faltando, o clima não tá legal pra minha pele e minha mãe disse que os bons partidos já não existem mais. Tô sem paciência pra procurar qualquer coisa, os fatos já não me interessam e essa gente toda que não some da minha frente, por que? Qualquer um pode ter seu mal dia, eu tenho vários e vou indo bem, obrigado. Não é que eu esteja contrária ao mundo são vocês que andam se contradizendo em ato e filosofia.  Eu devo estar apenas do lado errado mesmo.

Simples Composto

Andam por aí dizendo a vinte poucos anos que 'tudo passa', passageiro mesmo por mim foi o trem que você pegou. Eu perdi a hora, dormi demais e não deu tempo. O temporal, subjetivo tornou-se juntamente com o espaço as minhas rugas, as minhas prosas dos amores que eu nunca soube que amei. E assim, todas as verdades foram mal faladas de mentiras, as almas perderam-se dos corpos e a agonia tornou-se fome, sede e desespero. E de repente a minha boca se calou, as minhas pernas estremeceram, os poemas vieram a tona, quebrei as regras gramaticais da sua língua culta e tudo então se esclareceu. O óbvio tornou-se oculto, o resto do mundo de mim se escondeu diante da claridade insana que em nada me agride. Dos tapas, o mundo tornou-se real, das lágrimas o estômago doeu, os olhos incharam de dor; sem remédio pra efeitos colaterais de causas compostas por todos os erros que eu não acertei as contas. Se tudo passa, por que começa, por que não foge, por que eu, pra que esse jeito, pra que ta...

Guarda a Chuva

Hoje foi um dia bonito. Faz tempo assim que você não aparece aqui. Eu resolvi sentar, observei então que em dias de chuva o mundo ri e não chora, as pessoas se abraçam embaixo do guarda-chuva estão mais próximas,juntas, uma em muitas. O tempo passa, você disfarça, nós distraídos não vemos o resto. Estava pensando em todas as coisas ditas que nunca serão, e porque não? Afastei-me enfim de tudo, não só de alguns. A chuva não para e cada gota molha o chão,o pé, a calçada, invade um frio, um vazio, mas tudo é cheio; é cheio de si, é cheio de gente, é vazio em mim. A chuva aumenta, você não passou, eu tô vendo a chuva passar, porque eu ainda não tenho, um guarda-chuva.

A Moça da Sorte

Moça tome teu rumo, a tua abstinência de si não me comove, não me incomoda. Desatino teu achar tudo isso do mundo. Moça é assim como dois e dois são quatro, aqui não tem espaço, aqui não cabe menos, aqui não cabe mais. Não me venha com olhares, qualquer tipo esquisito de reza, você não tem vez. Pegue tua mala, tuas roupas e toda a tua vã 'filosofia', frágil menina, não cante palavras que você não conhece, não toque em nada daquilo que você não deseja. Moça confusa, não se confunda, aqui não há confusão. Deixe tudo assim como você entrou, sua saída será bem-vinda, a tua ida esperamos, desesperada esperança de socorro. Moça, deixa a calma estar, leva suas sombras embora, vá cuidar de si, de toda a tua canção, de toda a tua sorte.

O Romance das Horas

Eram seis e meia, eram sete, era meia noite, foi-se quase a vida inteira pensando assim. Baseada na desmedida do mundo eu fui medir as tuas loucuras nas mãos expostas, diante dos fatos concretos eu me contive. Eu apreendi toda a tua fala e me corroeu as entranhas ver assim, diante de mim, só mais um, mais um gole de incoerência e desarranjo nessa vida. Tragam mais cervejas meus novos amigos, porque isso aqui como todo o resto está há tempos fora do eixo das minhas expectativas centrais. Mas, veja bem que na disposição dos romances você não estava oposto a mim, mas claro indisposto pra toda a minha fantasia. No seu mundo não há espaço, há muito de você por si próprio, pra eu ajeitar, pra eu fazer uns poemas. Observando assim, parece até uma forma estranha de sentimento, mas não sei bem, não sei mal,há confusão demais no teu sono pesado de tudo, no meu cansaço extremo em tudo. Eu vou dormir mais um pouco, talvez eu acorde com menos ressaca de gente, menos chá no sofá, menos do mundo alh...

Sobra Falta

Não é nada pessoal moço, mas eu fui com a tua cara, com o teu compasso, com a tua marcha lenta, mas voltei de ré, no mesmo pé em que fui. Eu ando meio desapropriada da vida, não estou muito bem tomada de mim, ao contrário, o mundo apressado me tomou de sobressalto e levou assim todas as coisas que amei. Mas, o que amei,amei também ter amado ou apenas amei? Me perdi de mim, me perdi em mim e de todos vocês, admirei então todo o resto, o que restou, foi sobra, só não sobrou o que eu achava que queria, e porque queria? Por que eu sempre acho que falta a falta e derrama a sobra que é pra guardar. Assim fez um calor danado quando não podia, esfriou no resfriado e ele me deixou, a não ver navios. Não vi mais 'nada' e vi tudo, uma síntese do paradoxo, mas não de mim, dos outros, porque moço isso aqui não é pessoal, entenda bem e leia de novo.

Descompasso Seu

E caminhava, um sol na cara, um vazio no peito,sem vergonha, alheia ao mundo, dentro das tuas histórias e centrada do lado esquerdo da vida. Resumindo em versos seu desespero, sua espera, seus encontros infortúnios, fortuitos e desastrados. O copo de café explica suas linhas de expressão, os amigos se foram, seus amores não amaram filosofia e o resto de tudo um pouco se fechou. Fechou o tempo, o salário não subiu e o príncipe atrasou, pra não chegar mais. E assim se esvai e vai aumentando o sorriso,arrebentando os laços, sua voz então cala, afaga e grita. Meu peito sustenta toda a vã alegria de te ver passar, assim desajeitado, ajeitando os versos da sua história descompassada, no passo lento, parado olhando, andando olhando.Sua passagem por mim,foi feito o desfecho do defeito que atribui a você,se desfez e refez em mim aquela tal vontade que a gente tem de estar, de ser, se ater não em si,mas no outro e do outro assim embriagar-se de tudo, do todo como um, único e sós, a sós, em mim....

01:03

E aqui o mundo gira ao contrário. Mas, moço onde foi parar a tua dignidade?  E então o amor dura até o próximo gole.  E na outra esquina estão os desesperados. Mas,ouvem gritos, risos altos. E aqui nascem novas flores.  E então todo mal escorre ao chão.  Mas, moço onde você deixou tua vida?  E então cremos de novo no velho ditado.  E aqui mais uma vez estamos nós. 

Poema do meu Aniversário

Segundo o calendário este é o meu dia. Eu não envelheci hoje, mas todos os dias que se passaram. E dentro de mim há marcas, ladeiras, carnavais, amores e saudade. E os dias tristes passaram por mim 22 anos, exibi então um sorriso. Nas linhas tortas da vida fiz amigos, com os quais dancei até ver o sol,de novo e mais uma vez. Cortei laços e os cabelos, desfiz os nós e as malas, conheci o mar e as alturas, escrevi poemas e histórias, tornei-me então professora. Não tenho medo do tempo, e não quero ter tempo de ter medo de nada. Houve  tantas chegadas inesperadas e partidas repentinas,eu deixei, eu me deixei em tantos lugares. E cá estou eu. Uma certa expressão de loucura, uma forma estranha de ser, afirmando todos os sonhos em si, desejando todas as possibilidades. Desejo então morar perto do mar, desejo então amar quantas vezes forem possíveis, desejo rir de quase tudo, desejo mais livros de presente. Desejo envelhecer vagarosamente, desejo ver o resto do mundo, e o resto...

Um Rascunho sem Título

A roda da vida gira, gira e não cessa de girar deixando a morte aqui, aqui  mesmo do nosso lado A dor corrói mentes, o vazio de tornar-se só amedronta  e quem dera que as lágrimas deixassem de rolar As folhas secas caem das árvores,  mesmo que o vento não sopre  Forte ou fraca a chuva de verão cai no inverno As estações mudam,  mas você não mudou de casa ainda  O dia e a noite vem cada vez mais depressa  O tempo consome sua pele, sua carne e toda a sua angústia O mundo insiste em não parar, na alegria, na saúde ou na doença A água acaba, mas a sede não  O sinal está fechado, pra nossa pressa e toda a tua ânsia de viver parece infame  O nosso maior amor tem outro amor maior E toda a atual conjuntura, tornou-se velha Frente aos acontecimentos somos poeira nos olhos um rascunho com fim, um sopro sem força, uma roda girando.

Possibilidades do Vento

O vento que move as possibilidades chama-se tempo. Houve assim um tempo em que machucar o joelho pelo tombo de bicicleta era a nossa maior dor. A maior alegria vinha com os doces que a vó da gente trazia E tanto se chorava com os tapas da mãe e fazia cara feia "pro" remédio de gripe. Houve assim um tempo em que batemos as portas e não houve entendimento. Não houve espaço e muito menos liberdade, aquela tal.  A maior alegria é a festa que o pai enfim deixou a gente ir. E se chorava  tanto pelo cretino do "amor da vida". Houve assim um tempo em que fizemos a mala e saímos. Amor então passou a  ter outro significado, como a saudade de um colo de mãe, uma comida quentinha ou quem sabe até o remédio da gripe.  Há agora tanta liberdade pra ir, voltar ou não, que as vezes a gente se perde no caminho e fica um tempo em cada lugar ou no nosso lugar, seja ele onde for. Houve assim um tempo de confusão, onde o mundo passou a ser pequen...