Não me leve a mal, mas você diz sonhar comigo, diz gostar de mim, mas desculpa moço eu não acredito em você. O dia acordou chuvoso hoje, eu não quis levantar, porque minhas cobertas sempre me dão segurança desde pequena, toda aquela que eu não tenho do seu lado e de mais ninguém, porque eu tenho medo de escuro, eu tenho medo da vida. Difícil é ter saído de casa, ter deixado a comida da minha mãe, ter visto o sol sumir depressa, a distância levar o meu amor e o meu batom vermelho sair beijando alguém por aí. Nenhuma peça deste quebra- cabeça que é existir se encaixa sem me machucar, sem me perturbar. As cicatrizes ainda doem, uma dor assim, dentro de mim, onde você não vê, sua mão não toca. É estranho ainda pra mim, habitante disso aqui andar por aí e ver como todas as pessoas vem com data de validade; umas mais expostas, escritas na cara e na coragem de ir embora assim que chegar seu prazo final. Outras são mais tímidas, dizem que querem ficar, aconchegam-se e dormem, mas você sabe que elas não cabem nos seus planos, que o seu conto já tem personagens pré-estabelecidos e que seus filhos não vão conhece-las; porque você está procurando outra pessoa pra dançar as músicas da vida, estourar a bendita Champagne em qualquer lugar da casa em qualquer data não comemorativa. Nenhuma pessoa tem prazo indeterminado, porque o tempo é finito. O indeterminado só cabe no infinito ou no vazio e o mundo é feito de tempo que está cheio de gente. Mas, são as pessoas que vem com data de validade ou somos nós que as atribuímos á elas? Os dois ou um só; os prazos se fazem daquelas expectativas não correspondidas, daquelas opiniões desconexas, daqueles dias que a gente pensou demais, daquelas possibilidades no meio caminho, daquilo tudo que você é e não é mais pra mim, porque como eu disse o tempo é finito pra nós meu amor, assim somos todos datados e não adianta fugir, porque nem as cobertas protegem.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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