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Mostrando postagens de junho, 2013

Derramado

Eu estava tentando escrever um poema bonito, que falasse de gente bonita, de coisa alegre; mas ai de repente cai uma lágrima , salgada e fria; eu lembrei então, por que a gente chora? Porque a mãe negou o doce, porque o remédio é ruim, porque o mundo ensina e você se machuca, porque o amor não existe, porque o príncipe é sapo, porque a vida é curta, porque a vida é dura, porque dura tanto? Minha mãe sempre dizia: Menina, para de chorar pelo leite derramado; mas quem deixou essa porcaria de leite derramar e sujar o meu chão? É um filme bonito, é um livro comprido, é o personagem querido, é a poesia bem feita, é a música perfeita, é o aeroporto e o avião, é o mar e Recife, são os estados no meio, sou eu aqui e ele lá. Mas me diz por que chorar? Porque eu me perdi , porque isso aqui não é meu, porque a ferida abriu, porque a luz apagou e a festa disseram ai que acabou, acabou de começar; pra você, não é? Mas, eu não quero dançar, não com você, vai embora, eu vou dançar sozinha, eu vou da...

Mal de estar

Estou sentindo um mal estar, mas não é daqueles que médico cura e nem que um chá resolve. É uma coisa assim subjetiva, sabe moço?! Um negócio aqui, bem aqui dentro,mas não sei bem onde, porque não é no pé, nem na cabeça. Não tem livro que esclarece; pode até descrever o mal estar dos outros, mas o meu só eu sei, porque cada um sabe do seu, eu acho. Não adianta eu botar adjetivos, porque nenhum é do tamanho que precisa ser, faz de conta assim que é uma coisa que dói, mas também não dói as vezes, as vezes só incomoda mesmo sabe, incomoda porque não dá pra pensar sobre, já que eu não sei o que é, mas se eu não sei o que é, porque eu tô falando disso? Eu tô confusa agora, mas antes também eu estava, na verdade eu sempre estive. É um paradoxo tudo isso ai ou seria apenas mais uma metáfora?! Moço não tem quem me ajude nesse mundo, porque ninguém está dentro, aqui dentro pra ver, você entende? Acho que se eu dormir  passa até amanhã, amanhã de manhã quem sabe passe pra sempre ou até daqu...

A Campainha do Mundo

De repente a campainha toca, mas eu tô com uma preguiça de levantar daqui, eu tô com preguiça da cidade lá de fora, eu tô com preguiça dos conceitos pré - estabelecidos, da sua moral barata, do shopping lotado de gente vazia. Eu tô fechada pra você, tô chata pra visita, tô sem papo por hoje, eu tô quieta sim, porque o romance já não comove, o poema não sai e a casa tá cheia. Eu bato palmas sem saber, eu sei o que não devia comentar, o mundo é um show de ingresso caro e a gente paga com a vida pra viver aqui. E quem será que a gente tenta enganar? É claro que Papai Noel não existe, que ficar rico a gente não vai, que sentir algo assim e não gritar é enganar a si mesmo, mas minha mãe me enganou quando disse que o remédio era bom, que injeção não doía. O mundo engana, a gente tenta enganar o mundo, o mundo dos outros e o nosso; assim o príncipe vira sapo, o sapo some, a princesa chora, as lágrimas secam, vira mocinha, que não lê contos de fadas, que não tem medo de escuro e que de repent...

A Dor de Não Ser

Toda a música que toca aqui não combina com você; não adianta o seu cabelo não combina com o meu, a sua mão não se encaixa na minha, as coisas que eu digo ficam pairando no ar, porque quem há de entender? Não tem sol, não tem céu pra tanto pensamento sem razão de ser. Por que a gente pensa tanto em tudo? Pensar demais em certas coisas dói, dói porque a gente lembra que a vida é preto e branco e tem desejo de colorir. As coisas estão caras, as contas estão ai pra serem pagas, o texto é pra amanhã e o resto da vida está ai pra ser cumprido, todo dia, a cada dia que passa, voa e a gente nem tem mais tempo pra olhar. As frutas apodrecem, os amigos casam, o mundo gira, minha pele envelhece e eu continuo pensando em tudo aquilo que é ou tem razão de não ser. E de repente a gente tem só lembrança, tem só memória, tem só passado e não tem agora. Se a música não combina troca, se o cabelo não combina corta, fecha o olho, vira para o lado, se a mão não se encaixa, não dê a mão, abraça e solta, ...

O Dia dos Casais

Acordei com dor de dente, tomei remédios a semana toda e vi que o sol já estava alto demais pra ser cedo, poxa perdi a hora! Eu nunca perco nada, nunca perco a ordem, a incoerência, a pressa, a loucura que as pessoas insistem em atrelar ao meu ser, mas gente pra viver é necessário um pouco de tudo que há no mundo e assim a gente se transforma em algo com muitas caras e bocas, um pouco louco quem sabe. Mas enfim, o tal do calendário insistia em me mostrar que era dia dos casais, não, não era dos casais, era dos namorados, mas alguém me explica porque não é dos casais? Sempre achei que meus pais formam um casal bem mais apaixonado que qualquer casal de (apenas) namorados; desses que desfila por aí de mãozinha dada, dá presente, mas não se dá ao outro;  eu lembro de mainha que se deu a uma relação que já tem 29 anos, deu juventude,beleza,força ao outro e depois a nós.  Pra mim essa 'coisa' que os 'apaixonados' intitulam de amor que vem 'materializada' em bombons, ...

Alheio de Mim

Não estamos sós, já não somos um, estamos face a face com o vazio de ser algo que nunca sabemos o que é. Estamos presos aos conceitos pré-definidos pelas ciências exatas, humanas ou da nossa moral que se diz desviada dos nossos pais. Planejando o futuro de ser feliz pra sempre, esqueço da alegria por agora, e dos 'agoras' que se fazem os amanhãs, os anos afins. Estampado na cara os sorrisos bonitos,as  filosofias baratas e os sentimentos comprados nas lojas da esquina. As relações mudaram o foco, os fatos, os pronomes se tornaram possessivos, somos dos outros para observação, investigação e deleite. Mas, quem me tomou de mim? De assalto perdi meu lugar no mundo; quis então tomar posse do alheio; a auto - afirmação em si de mim no outro. Mas, quem deixou ser tomado? Todos os vazios de si que não sabem o que são, presos, perdidos quem sabe, em outros alheios.