Acordei com dor de dente, tomei remédios a semana toda e vi que o sol já estava alto demais pra ser cedo, poxa perdi a hora! Eu nunca perco nada, nunca perco a ordem, a incoerência, a pressa, a loucura que as pessoas insistem em atrelar ao meu ser, mas gente pra viver é necessário um pouco de tudo que há no mundo e assim a gente se transforma em algo com muitas caras e bocas, um pouco louco quem sabe. Mas enfim, o tal do calendário insistia em me mostrar que era dia dos casais, não, não era dos casais, era dos namorados, mas alguém me explica porque não é dos casais? Sempre achei que meus pais formam um casal bem mais apaixonado que qualquer casal de (apenas) namorados; desses que desfila por aí de mãozinha dada, dá presente, mas não se dá ao outro; eu lembro de mainha que se deu a uma relação que já tem 29 anos, deu juventude,beleza,força ao outro e depois a nós. Pra mim essa 'coisa' que os 'apaixonados' intitulam de amor que vem 'materializada' em bombons, roupas, perfumes, vem a minha mente 'materializada' como todas as coisas que eles construíram juntos, sem trocas, porque 'amor' a gente não troca, a gente só sente, eu acho. Sempre tive certeza que nas lojas não vendem as palavras que mainha sempre diz, o silêncio de meu pai as vezes, as soluções dos problemas não vem embaladas e nem as brigas vem explicadas nos livros de auto - ajuda. Assim eu não sei porque o dia não é dos casais como um todo,de qualquer tipo, qualquer jeito, qualquer sexo, os casais casados, os casais separados, juntos, antigos ou modernos? Quem estabeleceu essa regra de casal de namorados ou esse dia que devia ser todo o dia? Todo e qualquer dia pra se dar ao outro, pra construir algo com o outro, pra materializar as coisas, pra amar como um todo, pra ser qualquer coisa que se sente.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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