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Mostrando postagens de maio, 2012

A Chuva dessa tarde

É muito vento pra pouca árvore é muita mentira pra pouca gente que mora aqui, sai e só vai, não olha, não volta atrás. Porque não se tem o caminho pra voltar, eu vim e tratei de trazer comigo toda a minha paciência, o suficiente está retido em mim, sem dor. O céu clareou depois da chuva dessa tarde, eu caminhei com os pés descalços, molhei as mãos, lavei a alma da falta que nunca existiu. Me perguntam por aí, o que é isso que acontece? Acontece com o mundo que saiu do lugar, no meu sono eu fingi que a verdade, era a mentira que estava escrita, reconstruída nos dias que passaram. Reescrevi uns poucos versos, avessos e aversos a boa educação, preferi não pensar em nada, não mentir pra quem quiser que seja. Agora deixa  tudo como está e não está,  veja meu bem se eu dei a permissão pra alguém roubar o meu sossego, devolve a minha auto-definição e deixa ai em cima o resto, que restou, depois da chuva dessa tarde. 

A confusão da gente

O mundo confunde, confunde a gente, a gente acha que sabe, mas na verdade só acha. Acha que gosta e que desgosta do gosto do desgosto de viver. Passou aqui de repente o vento que bagunçou meu cabelo, fechou meus olhos e desarrumou minha casa. Não sei de onde vem, nem pra onde vai, prefiro não perguntar, não falar e não responder, porque é fácil ir e não voltar. Não sei bem onde me perdi na argumentação dos meus erros, não sei onde você achou que eu acertei. Talvez na sua cabeça, no seu telhado, ou com uma pedra na sua janela, quebrei os copos, os pratos e a vergonha. Sai falando alto e acordando quem não devia, peguei um papel e fingi que não era eu, que não sou eu, que não é comigo. Mas eu sei do tudo e do nada, do meio, do começo e do final, mas não fale sobre a ordem lógica das coisas, porque eu vivo na constante desordem de existir. Porque o mundo me confunde, o mundo confunde a gente completando a ânsia de ser o que se acha que é. E o que se é? Se é toda a loucura escondida, ado...

O instantâneo

Eu nunca gostei do simples, do barato, do igual, do mesmo lugar ou das mesmas pessoas. Isso porque a gente muda incessantemente quando cada minuto vai embora, sou adepta da teoria do ser e do não-ser. Sempre quis achar um príncipe encantado, mas ele sempre se perdeu no meio do caminho pra minha casa.   Nunca gostei desses casais que parecem ter parado no tempo, vivendo a mesmice do dia-a-dia, sinto arrepios de pensar em estar do lado de alguém que não faça as coisas serem diferentes.   Pra mim boas histórias de amor são como nos filmes, algum tempo depois... ficaram juntos e viveram felizes para sempre. E quem disse que isso não pode acontecer? Mas, se não acontecer não importa muito, já que pra mim emoção mesmo é se apaixonar em um instante e lembra-lo enquanto tudo isso for bom. E se tivesse sido assim?!   O tempo passa a ser algo totalmente relativo na vida de quem gosta do que é instantâneo.   Não consigo me acostumar com a maldita rotina de possuir o outro. At...

Encantamento do sono

O que me encanta sempre foi estranho, desajeito e meio bobo. O que me deixa mais feliz é a graça que eu faço pra você rir. No jogo da vida eu me arremesso sem ter muito medo do limite das coisas. E se há limite pra viver eu jamais quero achar. Eu quero achar mesmo a fórmula mágica que dá a beleza das coisas, que faz o vento soprar, que faz borboletas voarem, aqui fora e aqui dentro, dentro de mim. O que eu quero mesmo é sentir toda a imensidão do mundo, que forma uma tênue linha entre a realidade e o sonho. Quero mesmo é dançar até o dia amanhecer, e que o sol só possa se por quando eu te ver atravessando a rua de casa. Ouço uma música boa que toca entre o som das palavras da poesia. Vejo um futuro desenhado nos olhos desconhecidos que eu vi. Sinto um cheiro de coisa boa no ar, acordo pra olhar pela janela, mas prefiro voltar a dormir. 

A incoerência da vida

Eu posso até lidar bem com esses conceitos filosóficos, com esses materiais abstratos e com todos esses livros aqui na estante de casa. Eu lido bem com esses casais desconhecidos que passam de mãos dadas por mim todos os dias. Eu entendo bem essa coisa toda de ser alguém que não se é, ou de mentir, omitir e aceitar aquelas coisas banais da vida. Eu posso até lidar com educação, festas, dinheiro e inveja só não me venha com discussões sobre o passado das pessoas que passaram. Eu não entendo nada de matemática, mas sei lidar bem com os papéis escritos dispostos aqui na mesa. Sou um tipo de presente distante e futuro proposto, sei bem gritar e a não dar importância a quase nada na vida. Frágil como um bichinho eu sei bem lidar com a perda, mas sei brigar até o fim pela vitória, porque o gosto de vencer é doce demais pra não se sentir. Eu posso até lidar com a insegurança de ter gostos duvidosos, estudos mal feitos e oportunidades perdidas, mas não lido com gente que não sabe o que quer ...