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A confusão da gente


O mundo confunde, confunde a gente, a gente acha que sabe, mas na verdade só acha. Acha que gosta e que desgosta do gosto do desgosto de viver. Passou aqui de repente o vento que bagunçou meu cabelo, fechou meus olhos e desarrumou minha casa. Não sei de onde vem, nem pra onde vai, prefiro não perguntar, não falar e não responder, porque é fácil ir e não voltar. Não sei bem onde me perdi na argumentação dos meus erros, não sei onde você achou que eu acertei. Talvez na sua cabeça, no seu telhado, ou com uma pedra na sua janela, quebrei os copos, os pratos e a vergonha. Sai falando alto e acordando quem não devia, peguei um papel e fingi que não era eu, que não sou eu, que não é comigo. Mas eu sei do tudo e do nada, do meio, do começo e do final, mas não fale sobre a ordem lógica das coisas, porque eu vivo na constante desordem de existir. Porque o mundo me confunde, o mundo confunde a gente completando a ânsia de ser o que se acha que é. E o que se é? Se é toda a loucura escondida, adormecida e justaposta frente às outras. Se é todo o seu  silêncio, com a minha voz, toda a minha vontade daquilo que me faz bem, aquilo que te faz bem, do que une e separa, aperta e solta, fica, mas leva, aquilo que confunde a gente e todo o mundo. 

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