O
mundo confunde, confunde a gente, a gente acha que sabe, mas na verdade só
acha. Acha que gosta e que desgosta do gosto do desgosto de viver. Passou aqui
de repente o vento que bagunçou meu cabelo, fechou meus olhos e desarrumou
minha casa. Não sei de onde vem, nem pra onde vai, prefiro não perguntar, não
falar e não responder, porque é fácil ir e não voltar. Não sei bem onde me
perdi na argumentação dos meus erros, não sei onde você achou que eu acertei.
Talvez na sua cabeça, no seu telhado, ou com uma pedra na sua janela, quebrei
os copos, os pratos e a vergonha. Sai falando alto e acordando quem não devia,
peguei um papel e fingi que não era eu, que não sou eu, que não é comigo. Mas eu
sei do tudo e do nada, do meio, do começo e do final, mas não fale sobre a
ordem lógica das coisas, porque eu vivo na constante desordem de existir.
Porque o mundo me confunde, o mundo confunde a gente completando a ânsia de ser
o que se acha que é. E o que se é? Se é toda a loucura escondida, adormecida e
justaposta frente às outras. Se é todo o seu
silêncio, com a minha voz, toda a minha vontade daquilo que me faz bem,
aquilo que te faz bem, do que une e separa, aperta e solta, fica, mas leva, aquilo
que confunde a gente e todo o mundo.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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