O
mundo confunde, confunde a gente, a gente acha que sabe, mas na verdade só
acha. Acha que gosta e que desgosta do gosto do desgosto de viver. Passou aqui
de repente o vento que bagunçou meu cabelo, fechou meus olhos e desarrumou
minha casa. Não sei de onde vem, nem pra onde vai, prefiro não perguntar, não
falar e não responder, porque é fácil ir e não voltar. Não sei bem onde me
perdi na argumentação dos meus erros, não sei onde você achou que eu acertei.
Talvez na sua cabeça, no seu telhado, ou com uma pedra na sua janela, quebrei
os copos, os pratos e a vergonha. Sai falando alto e acordando quem não devia,
peguei um papel e fingi que não era eu, que não sou eu, que não é comigo. Mas eu
sei do tudo e do nada, do meio, do começo e do final, mas não fale sobre a
ordem lógica das coisas, porque eu vivo na constante desordem de existir.
Porque o mundo me confunde, o mundo confunde a gente completando a ânsia de ser
o que se acha que é. E o que se é? Se é toda a loucura escondida, adormecida e
justaposta frente às outras. Se é todo o seu
silêncio, com a minha voz, toda a minha vontade daquilo que me faz bem,
aquilo que te faz bem, do que une e separa, aperta e solta, fica, mas leva, aquilo
que confunde a gente e todo o mundo.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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