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Mostrando postagens de abril, 2013

Obrigado

Despercebida eu me ative a pensar em quanto tempo eu passo do lado errado da rua, do lado errado da cama, do lado errado da gente. O problema é ter o parâmetro real para afirmar sobre o certo e errado, sobre as verdades de valor absoluto, se é que elas existem, se é que tudo não passa de subjetivo, sonho e cor. Andei reparando em como as músicas que ouço não combinam com os 'amores' de ultimamente, elas não formam a sincronia perfeita pra a minha dança desajeitada. As palavras andam me faltando, o clima não tá legal pra minha pele e minha mãe disse que os bons partidos já não existem mais. Tô sem paciência pra procurar qualquer coisa, os fatos já não me interessam e essa gente toda que não some da minha frente, por que? Qualquer um pode ter seu mal dia, eu tenho vários e vou indo bem, obrigado. Não é que eu esteja contrária ao mundo são vocês que andam se contradizendo em ato e filosofia.  Eu devo estar apenas do lado errado mesmo.

Simples Composto

Andam por aí dizendo a vinte poucos anos que 'tudo passa', passageiro mesmo por mim foi o trem que você pegou. Eu perdi a hora, dormi demais e não deu tempo. O temporal, subjetivo tornou-se juntamente com o espaço as minhas rugas, as minhas prosas dos amores que eu nunca soube que amei. E assim, todas as verdades foram mal faladas de mentiras, as almas perderam-se dos corpos e a agonia tornou-se fome, sede e desespero. E de repente a minha boca se calou, as minhas pernas estremeceram, os poemas vieram a tona, quebrei as regras gramaticais da sua língua culta e tudo então se esclareceu. O óbvio tornou-se oculto, o resto do mundo de mim se escondeu diante da claridade insana que em nada me agride. Dos tapas, o mundo tornou-se real, das lágrimas o estômago doeu, os olhos incharam de dor; sem remédio pra efeitos colaterais de causas compostas por todos os erros que eu não acertei as contas. Se tudo passa, por que começa, por que não foge, por que eu, pra que esse jeito, pra que ta...

Guarda a Chuva

Hoje foi um dia bonito. Faz tempo assim que você não aparece aqui. Eu resolvi sentar, observei então que em dias de chuva o mundo ri e não chora, as pessoas se abraçam embaixo do guarda-chuva estão mais próximas,juntas, uma em muitas. O tempo passa, você disfarça, nós distraídos não vemos o resto. Estava pensando em todas as coisas ditas que nunca serão, e porque não? Afastei-me enfim de tudo, não só de alguns. A chuva não para e cada gota molha o chão,o pé, a calçada, invade um frio, um vazio, mas tudo é cheio; é cheio de si, é cheio de gente, é vazio em mim. A chuva aumenta, você não passou, eu tô vendo a chuva passar, porque eu ainda não tenho, um guarda-chuva.

A Moça da Sorte

Moça tome teu rumo, a tua abstinência de si não me comove, não me incomoda. Desatino teu achar tudo isso do mundo. Moça é assim como dois e dois são quatro, aqui não tem espaço, aqui não cabe menos, aqui não cabe mais. Não me venha com olhares, qualquer tipo esquisito de reza, você não tem vez. Pegue tua mala, tuas roupas e toda a tua vã 'filosofia', frágil menina, não cante palavras que você não conhece, não toque em nada daquilo que você não deseja. Moça confusa, não se confunda, aqui não há confusão. Deixe tudo assim como você entrou, sua saída será bem-vinda, a tua ida esperamos, desesperada esperança de socorro. Moça, deixa a calma estar, leva suas sombras embora, vá cuidar de si, de toda a tua canção, de toda a tua sorte.

O Romance das Horas

Eram seis e meia, eram sete, era meia noite, foi-se quase a vida inteira pensando assim. Baseada na desmedida do mundo eu fui medir as tuas loucuras nas mãos expostas, diante dos fatos concretos eu me contive. Eu apreendi toda a tua fala e me corroeu as entranhas ver assim, diante de mim, só mais um, mais um gole de incoerência e desarranjo nessa vida. Tragam mais cervejas meus novos amigos, porque isso aqui como todo o resto está há tempos fora do eixo das minhas expectativas centrais. Mas, veja bem que na disposição dos romances você não estava oposto a mim, mas claro indisposto pra toda a minha fantasia. No seu mundo não há espaço, há muito de você por si próprio, pra eu ajeitar, pra eu fazer uns poemas. Observando assim, parece até uma forma estranha de sentimento, mas não sei bem, não sei mal,há confusão demais no teu sono pesado de tudo, no meu cansaço extremo em tudo. Eu vou dormir mais um pouco, talvez eu acorde com menos ressaca de gente, menos chá no sofá, menos do mundo alh...

Sobra Falta

Não é nada pessoal moço, mas eu fui com a tua cara, com o teu compasso, com a tua marcha lenta, mas voltei de ré, no mesmo pé em que fui. Eu ando meio desapropriada da vida, não estou muito bem tomada de mim, ao contrário, o mundo apressado me tomou de sobressalto e levou assim todas as coisas que amei. Mas, o que amei,amei também ter amado ou apenas amei? Me perdi de mim, me perdi em mim e de todos vocês, admirei então todo o resto, o que restou, foi sobra, só não sobrou o que eu achava que queria, e porque queria? Por que eu sempre acho que falta a falta e derrama a sobra que é pra guardar. Assim fez um calor danado quando não podia, esfriou no resfriado e ele me deixou, a não ver navios. Não vi mais 'nada' e vi tudo, uma síntese do paradoxo, mas não de mim, dos outros, porque moço isso aqui não é pessoal, entenda bem e leia de novo.