Andam por aí dizendo a vinte poucos anos que 'tudo passa', passageiro mesmo por mim foi o trem que você pegou. Eu perdi a hora, dormi demais e não deu tempo. O temporal, subjetivo tornou-se juntamente com o espaço as minhas rugas, as minhas prosas dos amores que eu nunca soube que amei. E assim, todas as verdades foram mal faladas de mentiras, as almas perderam-se dos corpos e a agonia tornou-se fome, sede e desespero. E de repente a minha boca se calou, as minhas pernas estremeceram, os poemas vieram a tona, quebrei as regras gramaticais da sua língua culta e tudo então se esclareceu. O óbvio tornou-se oculto, o resto do mundo de mim se escondeu diante da claridade insana que em nada me agride. Dos tapas, o mundo tornou-se real, das lágrimas o estômago doeu, os olhos incharam de dor; sem remédio pra efeitos colaterais de causas compostas por todos os erros que eu não acertei as contas. Se tudo passa, por que começa, por que não foge, por que eu, pra que esse jeito, pra que tantos planos, de onde veio, pra que pensar, deixa ficar, pra esse tudo, me acordar, deixa, fica, vai, passa.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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