Andam por aí dizendo a vinte poucos anos que 'tudo passa', passageiro mesmo por mim foi o trem que você pegou. Eu perdi a hora, dormi demais e não deu tempo. O temporal, subjetivo tornou-se juntamente com o espaço as minhas rugas, as minhas prosas dos amores que eu nunca soube que amei. E assim, todas as verdades foram mal faladas de mentiras, as almas perderam-se dos corpos e a agonia tornou-se fome, sede e desespero. E de repente a minha boca se calou, as minhas pernas estremeceram, os poemas vieram a tona, quebrei as regras gramaticais da sua língua culta e tudo então se esclareceu. O óbvio tornou-se oculto, o resto do mundo de mim se escondeu diante da claridade insana que em nada me agride. Dos tapas, o mundo tornou-se real, das lágrimas o estômago doeu, os olhos incharam de dor; sem remédio pra efeitos colaterais de causas compostas por todos os erros que eu não acertei as contas. Se tudo passa, por que começa, por que não foge, por que eu, pra que esse jeito, pra que tantos planos, de onde veio, pra que pensar, deixa ficar, pra esse tudo, me acordar, deixa, fica, vai, passa.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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