Hoje foi um dia bonito. Faz tempo assim que você não aparece aqui. Eu resolvi sentar, observei então que em dias de chuva o mundo ri e não chora, as pessoas se abraçam embaixo do guarda-chuva estão mais próximas,juntas, uma em muitas. O tempo passa, você disfarça, nós distraídos não vemos o resto. Estava pensando em todas as coisas ditas que nunca serão, e porque não? Afastei-me enfim de tudo, não só de alguns. A chuva não para e cada gota molha o chão,o pé, a calçada, invade um frio, um vazio, mas tudo é cheio; é cheio de si, é cheio de gente, é vazio em mim. A chuva aumenta, você não passou, eu tô vendo a chuva passar, porque eu ainda não tenho, um guarda-chuva.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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