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Mostrando postagens de 2012

O Vestido Novo

Seu melhor vestido continua guardado, pois era o último abraço e ele não percebeu.  Sentou-se e não a olhou nos olhos, não há homens pra isso.  E com um banho de chuva lavou toda a sujeira do mundo. Sentiu-se limpa, mas não pura, pois as marcas ficaram em uma breve memória.  A luz se apagou, todos se dispersaram e ela ficou, com seu vestido mais velho. Na sua doce loucura, breve foram seus desejos, tornou-se então um devaneio de si. E como fumaça todas as coisas ruins se foram no ar. Não há tempo para lamentar-se, a culpa recairá sobre seus poemas não dedicados.  Os ventos virão para salva-lá, jogando seu bonito cabelo e trazendo boas notícias. Os trovões ressoam para avisar que o perigo passou e que o dia será de sol, calor e todo o seu sorriso. Não chore pequena, a maquiagem pode borrar, não passe seu vestido novo pra hoje, espere, contenha-se, pois a sua festa ainda não começou. 

Porque,por favor.

Só queremos um mundo mais bonito, por favor. Gentileza aos pedestres, água as flores. Bicicletas ao invés de carros, chuva fina, vento frio. Que haja primaveras, verão e praia limpa. Que para o sol sempre um começo, que a noite haja cama e cobertor. Que no inverno venha companhia e brigadeiro. Que  de distâncias físicas façam-se amores metafísicos. Que pra sua dor haja abraço. Que pra minha ausência uma foto que você levou. Menos separações e mais laços, mais virgulas para tantos pontos. Um sorriso para um céu tão lindo, um aceno pra um conhecido, um bom dia para qualquer um. Mais hoje pra tanto amanhã, mais futuro pra pouco tempo. Mais de você aqui, mais dos outros em mim. Que seja doce,amargo, todas as cores e sabores enfim, seja uma vida mais alegre, por favor. Menos preconceito a nossos filhos, mais coerência no país da bandeira que descreve a ordem. Mais música, poesia, palavras soltas e cruzadas. Vamos dançar até os dias passarem na segurança do nosso nós. Mais livros, café ...

Um Impreciso Ausente

Não é nada como uma crise. É algo como um vazio do ser de outro, da companhia, do verso, estrofe,do som alto e desenvolto. Precisa-se de mais almas menos ausentes, corpos serenos, mãos apertadas. E o que há de mais bonito em toda a completude. Se não há infinito, que haja finito apenas, breve,contente e possível. Não importando assim toda a loucura que nos rodeia, enfim seremos como normais dançando embaixo da chuva, comendo chocolate e pipoca ou jogando conversa fora pelos dias afins. E quem não espera? Um tipo de amplitude maior daquilo que já se possui, uma soma, um lapso de frio na espinha ou quem sabe um canto não mais sozinho. É tão impreciso como futuro, contingente como meus bons feitos e necessário para o mundo girar, na sua volta de roda gigante nada romântica. Não se tem grandes pretensões  em certos dias do ano, mas quando se dorme quer se um lado, quando se chora um ombro, quando esfria um cobertor, quando faz calor um ventilador, um mar, um boa noite. Breve, constant...

Vale Mais

A vida passa assim, passageira pela janela de casa sem deixar muitos rastros, poucos passos, muitos gastos. Parece até mesmo que não vivemos tudo o que é possível, não há maneiras de se dizer o vasto, o contínuo e toda a loucura que nos cerca. Construímos paredes,muros, dispersamos em meio ao mundo, sem data, sem nome, sem pudor. Não há nada que me impressione lá fora e aqui dentro tudo já se acostumou a mim. Nossas relações fugazes e eternas, nossos suspiros e espirros, um ar sem fôlego. Há olhares perdidos, achados em meio a corpos desconhecidos. Em meio a tantos fins não há disposição de viver as dores dos abraços de despedida, dos empregos perdidos,dos amores não correspondidos.  E de repente o que era machucado, tornou-se cicatriz. E todo o resto se desfez em nossa frente. Não tenham medo, meus caros. Viver exige demais, a mais, um preço válido.

Sem muitas Palavras

Não há nada no mundo que eu não possa ver em suas mãos. Um dia eu fui pequenininha, você me pegou no colo pra eu dormir, pra eu comer, pra mostrar que minha dependência de você era para o resto da vida. Não nos acostumamos que eu cresci e que eu já não ia mais acordar de manhã nos dias frios pra ver o orvalho da grama com você. Desde então o que restou foi nossa instável relação de amor. Pai, o que a vida fez de você foi o mais importante da minha vida. O que os anos trouxeram pra nós foi alegria de sermos assim como somos, de cara feia, briga feita, casas separadas e um amor nunca dito. Ao meu grande pai. 

A mais por Demais

E como o transcendente desejo corre nas veias, um frio na espinha, um vazio em si. Não haveria porém explicações, afinal o que estamos fazendo? E se de repente você se cansar, do que nada te prende aqui, somos como bons amigos e vamos deixar um pouco de nós um com o outro. Eu me fiz, me despi e me refiz em todos os cantos do mundo e ainda assim não há fórmula para a completude. E todo o amor que abarca os nãos que foram ditos, as férias perdidas, as idas e não voltas, há em cada um algum sentido. E de repente as paredes foram erguidas, os muros são altos e eu já não alcanço pular. Sou pequena demais pra sorte que me falta. Mas, nada que me impeça de beber um pouco a mais ou de viver um pouco demais, por aí.

Sobre Viagem

O mundo lá fora é muito bonito, mas não é real ainda pra mim. Havia pessoas,chuva, granizo,sol, livros e café. Falava-se de dinheiro, viagens, amor e tanta música tocava. E como um conto de fadas, era eu a pequena menina em um sonho, no qual eu me perdi com um brilho nos olhos. Cadeiras puxadas, velas acesas, a doce companhia e o vento soprou como se eu tivesse que voltar e eu tive. O intelectual meio dissolve-se friamente nos sentimentos que se passam em nós. Não há teorias ou teses que explicam amizades, reencontros e despedidas não acertadas. Nos dias cinzas de frio eu sentia calor, por estar ali onde eu me detive a ver a multidão de pessoas ao redor. E como se fosse difícil demais eu ficar encantada com a beleza dos gestos, afetos e traços das linhas da vida. Eu me entretive a observar, absorver e transbordar na inundação que se criou em volta. O mundo lá fora é muito bonito, mas é surreal ainda pra mim.

Sobra de Hoje

Hoje não há planos, há uma leve marca no rosto de alguns tempos que se passaram por mim. Ri o quanto pude, chorei por quase tudo, e o que se leva da vida? As rugas na cara, o cabelo branco, as pernas cansadas, os sapatos no armário. Brinquei de ver desenho em nuvens, mas queria mais algodão doce. Sentei no colo de mãe, mas podia mesmo era nunca ter saído de perto. Fiz uma estrada com voltas, curvas e a passos largos eu quis ganhar o mundo. Sonhei ter filhos, uma casa de campo e um amor infinito. Não há príncipe e nem cavalo branco. E por que enganam as crianças? Não é que eu esteja triste, apenas há vida demais em mim. O medo tem codínome futuro. Vem disfarçado de incertas palmas, uma bela platéia e um ator principal. Um jogo, um teatro, uma voz, tantas músicas com festa ou silêncio, o efêmero vulto da vida passa. Chegam os anos, os meses, o casamento e as separações de roupa, comida e alma. E quem teve sossego? Apontamos  para o lado, olhamos pra outro e então, há o vazio. Não é ...

Tempestade

Há previsão de tempestade dentro e fora de mim. Não é leve, não eleve sua voz. Não me contenha, não amarre minhas mãos. Não há como ferir mais do que aquilo que eu carrego. E vivendo em uma eterna inconsistência de mim, o meu inconsciente grita pela paz que você não carrega. Uma breve pausa e um café pra acordar, de que? Do sonho que nos últimos tempos eu não tenho tido ou repetido. Não me solta pelo mundo, pois eu não pretendo voltar. Não me guarde na sua caixa, pois eu vou sair sem olhar pra trás. Jogando tudo fora, para o alto e pra sempre. Há uma felicidade que não guardamos, nós dispomos, dividimos ou repassamos. A tua passagem parece não mais causar qualquer causa imprevisível. Eu me proponho à tempestade e você se propondo a chuva fraca.

Dois ou Três

Dois amores, dois vastos sentimentos, as entranhas movem-se, a pele esfria, a mão treme. A necessária escolha move ao contrário do meu ser, aquilo que eu mais desejo. E como se eu pudesse entrar em uma vida que nunca foi minha, abrir a porta da sua casa e fazer dos seus dias os meus melhores feitos. E na sua respiração ofegante me deleitar em um constante êxtase de afeto incompreensível pela sua mente. E do desejo faz-se o medo da distância. O não querer da limitação de um tempo passageiro, efêmero como suas mãos por mim. Dois amores, dois vastos sentimentos, as lágrimas movem-se, a poesia se cria, o abraço esquenta. O ato de saudade, a possibilidade entendida como agora. Como se eu já tivesse entrado na sua vida, bagunçado suas palavras e conhecido o mais intimo da mínima parte do seu eu. E a sua vergonha se dissipa e se disponha a minha frente, nua e  crua como viemos parar aqui. São dois opostos,dois mundos no meu enfim, mas que fim? Não erre a conta, são três vastos senti...

O contrário

E pra quem vai ser sempre indiferente não importa qual o dia. Não importa minha saúde ou alegria. E como os pássaros vem ao céu, eu vim à você, meia volta e você disse não acreditar. E não há risos, festa ou música, fiquei a espera do que deixou de vir. E na divisão de dois em um, somos anormais na nossa pretensão, ou não? E não seria eu se não fosse como é, mediante os meus fatos e desafetos. Deixando cabelos soltos, braços abertos e como uma não explicação da matéria e forma somos nós,ou talvez? E talvez você queira não desejar o que faz feliz, mas por mim o mundo pode até acabar, eu fiz. Eu me coloquei a sua frente, levemente sem pudor ou agonia, e agora? E agora, talvez ou não importa, a indiferença do nunca perceber, o todo da meia volta do seu lado, o lado oposto, o contrário.

O Mar do Sertão

O mar me deixou sem jeito. Levou meus sonhos em ondas e me tornou um grão de areia. Eu me fiz parte de uma terra que faz parte do meu ser. O vento aqui não sopra como lá, os amores daqui não são como os de lá, do céu não caem gotas pra invadir todo um sertão. O mar era como a imensidão de um desejo, não se sabe nem porque, nem de que, nem de quem. Não há alguém, há todo o infinito, o tempo, a essência, como uma intrínseca vontade de estar viva em um só lugar, de uma só maneira. Que o universo conspire em favor das voltas dos meus passos, envoltos nas conchas da praia. Que seja sol, sal, azul, que o caminho seja curto  de uma  longa alegria.

A Vida feito o Trem

No passo apressado eu me perdi de você. Acho que a gente nunca se encontrou nessa vida. Não pude me despedir, não houve momento breve, suspiro profundo e coisas assim. A fala se perdeu nesse meio termo que há entre você e o resto. Não é quente, não é frio, é morno. Mas, me diga é como pouco sal e pouca açúcar. Não é doce, nada salgado e nem ao menos amargo, o que eu sentiria então? Como algo agridoce? Como uma mistura? Ou como o nada? Eu não repreendo, não julgo, não aponto, mas lamento o esperar de querer muito,quase tudo, do pouco, profundo e igual. Você não viu? O trem passou, a chuva caiu, o sinal abriu, eu me fui e você ficou parado aí, olhando a banda passar. Contando quem sabe nos dedos, as desordens que eu causei. Mas, me diga amor o que acontece? Abra os olhos antes que o dia amanheça, não conte com os anos que vem, eles são traiçoeiros e os meus planos também. Corra, o trem  passa de novo quem sabe, um dia qualquer, sem avisar.

Poema para o Fim do Mês

Um dia, menos dia. O mês vai se indo e bem-vindo seja mais um, dois pra chegar o fim do ano. Eu tentei parar o tempo só pra ter mais a graça do desejo de estar viva. O horário vai mudar, nossas vidas se esvaziam no vazio da folha do calendário e se enchem no ponteiro do relógio. O que haveria, estar por vir, que as lágrimas sejam menos salgadas, que os amargos sejam doces, que a falta seja ausente. Leia um livro, compre flores,dance a sua música, dê abraços mais apertados, aprecie a estação, pare para o vento passar. Faça tanto quanto os 31 dias próximos que temos, os únicos de toda a eternidade de vida que desejamos.

A doce música cessou, as luzes se apagaram como o piscar dos meus olhos salgados de tantas lágrimas. Eu não me coloquei diante dos medos para fugir, não corri riscos pra me perder assim. Não fiz planos para você rabisca-los, a disposição da minha fala, remete ao teu não falar que ensurdece a minha mais nobre poesia. Vejamos, meu bem, dá valor ao que vale. Sua existência é breve e seus dias leves como o vento que me fez te ver de outras formas, disformes e reformulando a minha concepção mundana de desejar o que há do outro. O que há de errado aqui? O que te fez, não fará mais, não olhe pra trás, pegue suas poucas coisas e segue o teu caminho, que não cruzou com o meu, há anos passados. Repasse a limpo suas frases, dirija-se a mim como se não conhecesse a essência do que há por dentro, o intrínseco, intimo do desvelar. Não pretendo revelar teus segredos, não há o que contar, quando nunca se soube. Há sombras demais cobrindo sua terna face, e eu nunca poderia te observar, como você me vi...

Poema da Primavera

Você sorri, eu engulo o choro, sem água, com soluços, sem demora. Na tentativa vã de disfarçar um medo eu abraço o mundo, volto pra casa, quero colo. A carência da não auto-suficiência de um eu perdido. Desejo tudo, ando depressa, não meço o passo, corro o risco mas, sinto muito. O universo conspira a meu favor, a simétrica arte de escrever foi dada, a inabalável coluna construída mas, foi ao chão. Um incrível dom de expressão, fala, motivos e desajeito. Desembaralhando as cartas do baralho eu sou feliz mas, há pessoas lá fora. Houve um tempo que era mais fácil, mas deixou de ser. Sufoco um grito, apago os grifos, como se não tivesse ido mas, já há marcas. Ouço passos apressados, vozes agudas, tons altos mas, me sento. Há coisas desconhecidas, caminhos cruzados,muito futuro mas, pouco presente. Garganta seca, sinto sede de mar, tristeza de criança mas, dia se foi. Não está bem, esvazio o copo, encho as mãos mas, continuo profunda. O inverso do desafeto, o inverno está indo mas, ansios...

Fim

Somos enfim chuva, tocando corpos,ruas e terras. Somos enfim, sol nascendo e se pondo todos os pequenos dias do mês. Somos enfim, sós como as lembranças que deixei guardadas em caixas. Somos enfim, nós entrelaçados nas linhas da vida. Somos enfim, afeto nas intrínsecas relações do tempo. Somos enfim, saudade com a distância do que não volta. Somos enfim, infinito com aquilo que perdura por instantes na nossa conversa. Somos enfim, tudo do nada que temos. Somos enfim, definição, daquilo que temos dos outros. Somos enfim, poesia da música em prosa. Somos enfim, um esboço do desenho jamais reescrito.

Enfim, assim

Não se supra do lugar que você não ocupa. Vamos esquecer da rotatividade da terra em seu movimento quase perfeito de aproximação dos corpos. Esqueça os caminhos, que por direito ocuparam sem avisar. O verão ainda não se atreve a despontar, o sol vem, vindo forte e a chuva tímida, cálida, calamos nossa voz pra vê-la cair, na doce viagem dos nossos sentidos misturados, vivos, enfim, assim. Espere calmamente a adaptação da nova estação que se achega no ar, nossos esforços estão pesados, e nossos braços cansados. Mas o que há de vir, advém do muito, tudo ou quase nada. Nada contra a correnteza, desliza entre os artifícios, corrói o que separa o teu desejo do meu.  Assim, enfim novamente, tão bem, meu eu, sem o teu acostuma-se, desacostumado a nova falta que os móveis desarrumados pela minha dança causam. Cause seu tempo, na temporalidade rápida que lhe afeta como afeto, afago digno de mãos entreabertas, prontas para a imensidão de espaços vazios que há na ínfima parte do teu lugar, as...

O Eu de Você

Construa seus planos em mim,sem pressa, com a calma que eu lhe desejo estar por perto, desperto. Sinta minha mão  que se entrelaça a sua, assim como se entrelaçam os corpos nos dias frios do ano. Encante - se de tudo o que há no vento, movendo os instantes eternos do meu relógio. Encontre- se nos teus sentidos, o frio na barriga, o calor da face, as borboletas que saem do estômago e sobrevoam a minha cabeça. Siga os conselhos dos livros, reescreva as nossas tristezas em alegrias,façamos poesia de prosa, desajeito do jeito de viver. Durma ao lado de quem te quer bem, quanto o possível de mim. Que seja como o infinito se o que há aqui durar, até a próxima vida se quer que ela exista. Invente o seu estado de alegria e desvende o meu de loucura, o meu querer vem da sua totalidade, não seja singular, venha ao plural do meu eu, ser enfim, uma parte do mundo. 

O Jogo de Sono

Hoje eu acordei antes que você, ainda é estranho essa divisão de lugares, talheres e facas.Andei pela casa, desfiz umas malas, fiz o café. Ainda não me acostumei com essa perdição, no tempo, no vácuo, de ter uma casa pra voltar quando eu me vou. Nos tempos passados eu ria de tudo, dizia que não, que nunca, desatava os nós, queimava os papéis, limpava os móveis, o chão e o passado. Desmontava as peças, as partes, jogava as roupas, repassava a tese, apagava as frases. Minha mãe tinha medo por mim, eu tinha medo por todos, o mundo é lindo demais, eu dizia, pensava e ria alto, mais alto e forte. Infinitas loucuras, blasfêmias perderam-se no ar seco dos tempos sem chuva. Me roubaram tantas vezes, e devolveram os mais, com demais de outras vidas. Mas, agora eu me senti ir, por que eu quis, mas não queria, paradoxalmente a síntese do medo se fez. Eu acordei antes que você, observei o seu sono, ainda é estranho a divisão de mim, pro outro, assim como se já não houvesse um, dois ou dez. Não so...

Construindo

E nem mesmo a tal filosofia explica os tais laços, amarras, nós, entranhas e afins que temos na vida. Não há livro que descreva os altos e baixos, idas e vindas e as voltas que voltam. Tanto que eu pisquei os olhos e perdi os bons minutos no espaço do cheio, que tornou-se vazio. E porque dizem que viver é assim, um passeio sem volta, uma volta sem tempo, um tempo sem demora. Não somos conceitos definidos, somos o ente e a essência de não ser algo, somos um tipo de potência e ato. Mas há bem mais, que não se sabe em palavras, gestos ou expressões. Há um tipo de sentimento oculto que move, repousa, torce, arranha e grita do mundo pra nós e de todos pra um. Há música, solos e muitos duetos, há gaita, flauta e até guitarra,há poemas, letras e cartas, há tanta coisa escondida na ínfima teia do corpo que se reflete nos mundos possíveis da gente. Perdi os medos, os receios, ganhei seus jeitos, um sorriso, poucos dias, um desejo sem medidas. Curtamente grosso esse não passar a vida a limpo, t...

Um Dia de Despedida

Eu tive uma gripe, uma saúde, uns remédios com cuidado Eu era forte, não chorava, nem fazia se quer questão de tanta coisa Desejo tudo aquilo que se pode comprar e mais o mundo Um mundo que acordou ensolarado e triste O tempo está seco demais e isso não faz bem pra minha pele  Não faz bem pra minha alma a secura de não estar e de não ser Não houve tempo e as pessoas já falam sobre fotos e dizem frases bonitas que eu não quero dizer, porque eu não sei A chuva não esteve aqui esse tempo todo no qual você esteve, eu adoeci, dormi, falei demais e pulei todo o protocolo da boa educação Tudo que vai é amargo e porque eu gosto de doce e doce a gente tem que ter aqui nas mãos, eu prefiro os chocolates, sabe? E os que são meio - amargo? Também andam bons no período A estação ainda não mudou, os cafés ainda estão na mesa e os abraços não se desenlaçam assim Eu não escolho a quem conhecer, fecho os olhos e aponto para todas as voltas que o universo cons...

Sobre o Jornal

Não sei se é de ontem, de hoje ou de amanhã. Ganhei um jornal, fiz poesia. Senti um abraço, sem laço, sem dó, sem perca, sem mais. Faço caretas, desfaço os nós, quebro os copos, sujo a casa. Li, reli, senti, resolvi rasgar. Peguei pedaços, colei no papel, fiz uma carta, mandei pra alguém. Sem ter endereço, começo, meio ou fim. Juntei palavras, ouvi poucas falas e sai. O que aconteceu por aqui? Eu ganhei um jornal.

Inesperadamente esperando

Esperando mais há sempre desespero. Na expectativa eu aperto as mãos, lavo as louças e deixo as roupas jogadas pela casa. Perco o sono, mas não o sonho de mais dia, de mais sol, de mais mundo. Eu sentiria sua falta se houvesse algum tipo de saudade, mas fiquei parada algum tempo ali na porta e muita gente passou. Joguei coisas pela janela, guardei os livros e viajei pra casa. Peguei as roupas e guardei mal passadas, disfarçando a agonia. Falei demais, mas nunca tive problemas com a monotonia de ser um menos ou igual. Fiquei vermelha, escutei uma música e fingi indiferença, inesperadamente eu estava esperando. Me perdi no raciocínio, voltei atrás e decidi parar. Não quero mais perguntas, não sei de mais razões,já pode ir, já pode deixar de estar, porque não há nada além de ser. 

Passagem

Não se irrite meu bem, mas não estou pra romantismo. Passo longe de igrejas, parques, lagos, sorveterias e do cinema. Meu coração não é de ferro, sabe por que? Porque ferro derrete. Não é que eu deseje a infelicidade pra alguém, pelo contrário, fazer os outros felizes é um bom modo de vida. Mas, não me venha com convites, com deslizes, com desculpas, ou quem sabe até algumas palavras ao pé do ouvido. Preferi me sentar só quando você passou. E não estamos falando de amor, e muito menos decepção, a conversa é sobre opção. Optei em me importar menos, em gostar mais e em viver bem. Não há porque de solidão e nem de companhia já que o mundo é todo nosso.

Chame-se

Ei, ei, você mesmo! Não está me ouvindo? Porque? Me diga porque então segue andando por aí, se não ouve, não fala, não responde, não agride e não decide por nada, ninguém ou à mim. Não fale demais, não viva de menos, não se sinta perdido onde não há achados, procurados ou sem rumo. O mundo é grande, mas por aqui está se tornando pequeno como uma gota da chuva, mas me diga a diferença que algumas poucas gotas fariam em meio a seca? Sim, podemos seguir ou olhar para o lado,essencialmente  vivemos dos outros esquecendo do eu, do nós e de endereço. Volte pra casa, volte pra dentro, volte para o caminho e escute calado, pois há muito a dizer.

Filosofia,talvez.

Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim,  mesmo estando ainda mais  dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)

Sobre quem sabe o Nada

Isso aqui não é pra ser sobre amor ou sobre "desamor", sobre palavras cruzadas ou cartas jogadas fora do baralho e todas mais as coisa da vida.  Por esses dias não tinha prosa e nem poesia, não teve festa, não teve mar e o sol desapareceu aqui de casa. Não é que eu me incomode, pelo contrário, dias de chuva são bonitos pra quem sempre se molha da vida. Não pensei em me incomodar, nem em ver, muito menos pensei em falar sobre o caso, do descaso de ser menos ou demais.  Mas vi, ouvi, reli e deixei interpretar por mim tudo aquilo que li atrás. Eu vi a letra, a mão, o cabelo, o jeito, o desajeito e mais um pouco. De repente, peguei caneta e papel e escrevi sobre nada, porque o nada parecia dizer mais sobre tudo, do que um dia se percebeu. Não é posse, não é amor, não é ilusão, não é sentimento, não é perca, muito menos paixão, não é nada meu bem o que anda acontecendo aqui dentro de casa.

As Asas do Ar

Meu pai disse assim: Mas menina,você gosta demais de ficar no ar, no alto, no céu, por aí. Eu desejei voar, fiz asas pra sair, sem data, com rumo,pra longe. Mas se foi,deixou aberta a porta da saída sem volta. Mas, eu voltei, deixei pra trás saudade,sol e o mar. Querendo abraçar o mundo, eu cai e chorei. Corri pro lado contrário do vento, pro lado da rua que estávamos nós, separados pelo desconhecimento do tempo. Juntei palavras e fiz poemas, peguei os pedaços e fiz outras asas. Já diziam por aí que não tem problema não, porque eu posso ser tudo, o nada, do que eu quiser. Nossas estradas não são as mesmas, nossos caminhos não se cruzam, nossas almas não são gêmeas, porque eu vivo no céu, eu vivo no alto, eu sou do ar, eu quero o longe, o perto, o mundo de novo. 

Para o mal me quer

Estou em um modo incoerente de viver a vida, me acostumei com o universo masculino, andei bebendo demais e me arrependi do que eu não sabia no dia seguinte. Tenho ressaca de pessoas, não estou pra muito romance e o que me atrai passou a ser a diferença, o surreal, quem sabe até e por que não, o sonho. O que eu vivo não é mais você ou o outro, sou eu. Me desculpe, meu bem, mas meu tempo está fechado. Choveu demais, fez frio e eu me esquentei foi sozinha mesmo. Sem inconvenientes eu me abstive de derramar qualquer coisa, de ter qualquer briga ou de achar algum defeito. Minha poesia ficou torta, meu sono ficou mais longo, meu coração mais vazio, minha razão mais direta. Não perdi sentimento, ganhei idade, verdade e poupei um tempo que eu não tinha guardado.

Lembrança do Relembrar

Mas, que filosofia é essa pra entender a ausência de quem passou por aqui há anos atrás e ainda faz umas poucas lágrimas incertas, caírem sem volta desses pobres olhos cansados. Vi nossa foto, queria gritar pro mundo inexistente de sonhos que um dia eu vi todos postos a nossa frente. Eu marquei e remarquei seus olhos tantos dias ausentes da minha memória, eu viajei e vi de longe uma alma perdida, escondida atras de alguém que não era você. E pra que? Pra que relembrar uma tarde bem conversada, um sorvete com o gosto da felicidade perdida e encontrada em um destino não escrito da nossa história, rasgada e desfeita pela distante distância de ser. Fui  então aqui relembrar o lembrado, da lembrança escondida das minhas histórias contadas.

Versinho

Vamos nos embriagar dos outros, deixando que tudo se acabe, comece, venha e sinta. Sente - se ao meu lado e vamos assistir o espetáculo que é viver sem limites, morrer quantas vezes se quiser e acordar do sono profundo, das almas aflitas sem rumo. Eu não quero sossego,tempo ou silêncio, vamos andar por aí, só me dê a mão que o resto eu sei. Sei o caminho perdido, sem volta, distante de tudo, no meio do mundo.

O fato

O inverno ainda não bateu aqui na porta, as folhas continuam caindo e a água vem, vem passando a limpo todo dia o erro do errado de  não querer gostar de nada. O mundo gira pelo efeito do defeito de não ser igual a tudo que se vê. O fato é que estamos na correspondência de ser o que não estamos sendo a cada minuto que falamos sobre o que é. Mas, não é, não era e não estava? Não, não me venha falar sobre o conhecimento teórico das coisas infames e inexistentes. Se é a tua verdade, eu tenho a minha também, bem guardada escondida e tida como certa, incerta de se corrigir. Pensar sobre isso ou aquilo, não é pensar sobre o todo do meu ser desconhecido. Não tente adivinhar,supor ou escrever, as palavras vão continuar fazendo o sentido que eu desejo até o fim do pra sempre, que sempre acontece. 

A Chuva dessa tarde

É muito vento pra pouca árvore é muita mentira pra pouca gente que mora aqui, sai e só vai, não olha, não volta atrás. Porque não se tem o caminho pra voltar, eu vim e tratei de trazer comigo toda a minha paciência, o suficiente está retido em mim, sem dor. O céu clareou depois da chuva dessa tarde, eu caminhei com os pés descalços, molhei as mãos, lavei a alma da falta que nunca existiu. Me perguntam por aí, o que é isso que acontece? Acontece com o mundo que saiu do lugar, no meu sono eu fingi que a verdade, era a mentira que estava escrita, reconstruída nos dias que passaram. Reescrevi uns poucos versos, avessos e aversos a boa educação, preferi não pensar em nada, não mentir pra quem quiser que seja. Agora deixa  tudo como está e não está,  veja meu bem se eu dei a permissão pra alguém roubar o meu sossego, devolve a minha auto-definição e deixa ai em cima o resto, que restou, depois da chuva dessa tarde. 

A confusão da gente

O mundo confunde, confunde a gente, a gente acha que sabe, mas na verdade só acha. Acha que gosta e que desgosta do gosto do desgosto de viver. Passou aqui de repente o vento que bagunçou meu cabelo, fechou meus olhos e desarrumou minha casa. Não sei de onde vem, nem pra onde vai, prefiro não perguntar, não falar e não responder, porque é fácil ir e não voltar. Não sei bem onde me perdi na argumentação dos meus erros, não sei onde você achou que eu acertei. Talvez na sua cabeça, no seu telhado, ou com uma pedra na sua janela, quebrei os copos, os pratos e a vergonha. Sai falando alto e acordando quem não devia, peguei um papel e fingi que não era eu, que não sou eu, que não é comigo. Mas eu sei do tudo e do nada, do meio, do começo e do final, mas não fale sobre a ordem lógica das coisas, porque eu vivo na constante desordem de existir. Porque o mundo me confunde, o mundo confunde a gente completando a ânsia de ser o que se acha que é. E o que se é? Se é toda a loucura escondida, ado...

O instantâneo

Eu nunca gostei do simples, do barato, do igual, do mesmo lugar ou das mesmas pessoas. Isso porque a gente muda incessantemente quando cada minuto vai embora, sou adepta da teoria do ser e do não-ser. Sempre quis achar um príncipe encantado, mas ele sempre se perdeu no meio do caminho pra minha casa.   Nunca gostei desses casais que parecem ter parado no tempo, vivendo a mesmice do dia-a-dia, sinto arrepios de pensar em estar do lado de alguém que não faça as coisas serem diferentes.   Pra mim boas histórias de amor são como nos filmes, algum tempo depois... ficaram juntos e viveram felizes para sempre. E quem disse que isso não pode acontecer? Mas, se não acontecer não importa muito, já que pra mim emoção mesmo é se apaixonar em um instante e lembra-lo enquanto tudo isso for bom. E se tivesse sido assim?!   O tempo passa a ser algo totalmente relativo na vida de quem gosta do que é instantâneo.   Não consigo me acostumar com a maldita rotina de possuir o outro. At...

Encantamento do sono

O que me encanta sempre foi estranho, desajeito e meio bobo. O que me deixa mais feliz é a graça que eu faço pra você rir. No jogo da vida eu me arremesso sem ter muito medo do limite das coisas. E se há limite pra viver eu jamais quero achar. Eu quero achar mesmo a fórmula mágica que dá a beleza das coisas, que faz o vento soprar, que faz borboletas voarem, aqui fora e aqui dentro, dentro de mim. O que eu quero mesmo é sentir toda a imensidão do mundo, que forma uma tênue linha entre a realidade e o sonho. Quero mesmo é dançar até o dia amanhecer, e que o sol só possa se por quando eu te ver atravessando a rua de casa. Ouço uma música boa que toca entre o som das palavras da poesia. Vejo um futuro desenhado nos olhos desconhecidos que eu vi. Sinto um cheiro de coisa boa no ar, acordo pra olhar pela janela, mas prefiro voltar a dormir. 

A incoerência da vida

Eu posso até lidar bem com esses conceitos filosóficos, com esses materiais abstratos e com todos esses livros aqui na estante de casa. Eu lido bem com esses casais desconhecidos que passam de mãos dadas por mim todos os dias. Eu entendo bem essa coisa toda de ser alguém que não se é, ou de mentir, omitir e aceitar aquelas coisas banais da vida. Eu posso até lidar com educação, festas, dinheiro e inveja só não me venha com discussões sobre o passado das pessoas que passaram. Eu não entendo nada de matemática, mas sei lidar bem com os papéis escritos dispostos aqui na mesa. Sou um tipo de presente distante e futuro proposto, sei bem gritar e a não dar importância a quase nada na vida. Frágil como um bichinho eu sei bem lidar com a perda, mas sei brigar até o fim pela vitória, porque o gosto de vencer é doce demais pra não se sentir. Eu posso até lidar com a insegurança de ter gostos duvidosos, estudos mal feitos e oportunidades perdidas, mas não lido com gente que não sabe o que quer ...

Vamos falar,eu vou falar

Vamos falar de amor? Que amor? Esse que você joga na mesa quando vê um rosto bonito ou aquele que faz seus pés cansarem de andar. Que tal falar de dinheiro? Qual? Aquele que ganhamos, que deixamos de ganhar, ou aquele que é roubado de nós. Vamos então falar do vento? Aquele que sopra forte destruindo os muros da hipocrisia humana ou daquele que traz os perfumes da nova estação. Vamos falar de dor? Aquela que dilacera os corpos doentes matando o que há de bom em almas ou daquela falsa sensação de amargura que faz as lágrimas caírem. O que você acha de falar de você? De qual das suas faces, a do bom garoto sofrido ou do homem inteligente e sagaz. Vamos falar um pouco mais sobre educação, respeito e quem sabe até valores. Quais? Aqueles que as pessoas esquecem quando perdem a dignidade de viver. Quem sabe podemos falar sobre sonhos? Que sonhos? Talvez aqueles que impulsionam pessoas a moverem um mundo ou daqueles que a gente sonha acordado enquanto dorme na vida real. Vamos falar de lá...

Papel no lugar

Aptidão para escrever em dias alegres eu nunca tive, mas de repente haviam coisas voando por aqui pedindo para serem postas no papel. Eu me peguei pensando em um passado com cheiro de futuro e cara de presente, eu percebi que lembrava de ontem, de hoje e de amanhã que acabou de chegar. Estranho falar daquilo que a gente não conhece, chorar por algo que não era nosso, ou gostar daquilo que não se pode ter. Incerto é ser assim feito eu que falo sem parar, sem pensar e sem dizer uma só palavra. Feito nós cheios da procura incessante do convite mais certo, do dia mais claro, do olhar mais furtivo, da vida mais longa. Há coisas aqui precisando achar lugar no papel, há histórias demais jogadas por aí. Pois, com a chuva eu não tive tempo de passar a limpo aqueles rabiscos e linhas mal feitas, já que ela mesma tratou de apagar pra fazer tempestade no novo copo d’água que ficou cheio por aqui. Parece que há mais coisas do que se imagina espalhadas, procurando um só lugar no nosso papel. ...