Esperando mais há sempre desespero. Na expectativa eu aperto as mãos, lavo as louças e deixo as roupas jogadas pela casa. Perco o sono, mas não o sonho de mais dia, de mais sol, de mais mundo. Eu sentiria sua falta se houvesse algum tipo de saudade, mas fiquei parada algum tempo ali na porta e muita gente passou. Joguei coisas pela janela, guardei os livros e viajei pra casa. Peguei as roupas e guardei mal passadas, disfarçando a agonia. Falei demais, mas nunca tive problemas com a monotonia de ser um menos ou igual. Fiquei vermelha, escutei uma música e fingi indiferença, inesperadamente eu estava esperando. Me perdi no raciocínio, voltei atrás e decidi parar. Não quero mais perguntas, não sei de mais razões,já pode ir, já pode deixar de estar, porque não há nada além de ser.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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