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Mostrando postagens de 2017

Cuide-se

Não nos ensinaram a conviver bem com as consequências das expectativas que por vezes ou quase sempre criamos sobre pessoas e situações; nossa educação não nos ajuda muito a lidar com coisas importantíssimas, nós e os outros. É fato que a gente aprende, quem sabe hoje,  quem sabe nunca. Em 26 anos de vida eu já ouvi várias vezes: 'Camila não crie expectativas'; quando alguém diz isso, eu me sinto como se estivesse doida, criando uma coisa surreal, inimaginável e impossível de acontecer, mas isso você pode dar o nome de fantasia, sonho, imaginação (o que também ninguém pode me garantir a impossibilidade de vir a ser na realidade). No entanto,  expectativa é outra história, do latim  ex(s)pect ā re , "estar na expectativa de, esperar, desejar, ter esperança". Como é passar uma vida sem desejar com muita ou pouca esperança? Como não esperar  ser, ter e viver? É vazio demais.  Uma expectativa pode te conduzir aos campos Elísios ou ao vale de lágrimas, e se você for...

uma prosa pra mamãe

Pensei em escrever algo sobre mamãe, mas nem todo meu vocabulário filosófico, literário seria capaz de traduzir em imagens, números essa mulher, mas vamos seguir o fluxo das palavras. Há vários tipos de mãe, cada um de vocês sabe bem disso, cada uma tem suas histórias, seus defeitos, seu signo, milhões de qualidades, mãe é humana, sabe? Fica doente, mesmo que a gente ache que isso nunca vai acontecer, fica triste, e as vezes é com a gente, mas poxa mãe eu sei o que eu tô fazendo; no fundo, bem lá dentro, você sabe que não sabe, de nada. Mãe envelhece, chora, ri, mãe vai mesmo que a gente jure que não vai ser, mãe deixa saudade, abraça, briga, mãe ama de tantos jeitos que eu nem sei descrever aqui, mas acho que um dia, eu quero muito saber e eu volto pra contar. Mãe em resumo, em resenha, em livro, foto, poema, de dia, de noite, perto ou muito longe, é mãe. Se o amor existe ele tá em mãe, se a vida é boa, ela tá no colo de mãe, se o mundo é grande, pequeno fica, se a vida é dura, amole...

auto - construçāo

O que é que vai ser da vida? Acho que desde criança ando me perguntando isso, e com a vida adulta, a atual conjuntura política, a economia do país, o mundo, a literatura, a realidade, as relações, o mar não está pra peixe. Mesmo nāo estando é de pouco que a gente faz muito, oxe e quem sabe é isso que é ser feliz. É esse muito de pouco em pouco que torna a gente cheio, ai mais tem tanta gente vazia solta por aí, pra isso eu tenho várias conjecturas. Uma delas é o fato da vida me parecer ser uma construçāo, uma soma do ser e existir, o que vai ser dela só você que pode me dizer ou nāo diga, guarde segredo; mas, se você nada constrói, nem castelo de areia, nem a si mesmo, nada será, além do vazio que é. Se a vida é construçāo pode ser de concreto, fica muito duro, mas da pra reformar, pintar de qualquer cor, e demolir tudo; se é de papel da pra botar fogo que queima rápido, se é de areia tem mar, se é de carne e osso, sofre. Se é uma construçāo feita da soma de fatos, escolhidos, acontec...

Prosa confusa

Bauman já desenvolveu bem melhor que qualquer um de nós a ideia das relações do mundo contemporâneo, afinal a gente bem sabe que "vivemos tempos líquidos nada é para durar". Aqui só vai algumas impressões (im) pessoais da realidade. Hoje as relações, sejam de que espécie forem podem ser vividas de diferentes modos, afinal "consideramos justa toda a forma de amor", e  vai me dizer que isso não é maravilhoso? Mas, tem que ter amor; e essa palavra tem um peso que a maioria das pessoas não está disposta a carregar nos ombros; e eu não tô aqui falando de amor romântico, apesar de eu (ainda) acreditar nesse tipo de coisa, agora não me julguem, eu sou daquelas que ainda acha que vai casar. Eu tô falando aqui de um amor meio Leminski que não acaba mais se transforma, de um amor meio Drummond que hoje beija e amanhã não beija, eu tô falando de um amor com o outro, que talvez não dure pra sempre, mas não escorre entre os dedos e nem se desmancha no ar. Eu tô falando de um ...

Volta - se a ser

depois de um carnaval a gente nunca sabe o que é ficou vazio, o que era cheio de coisa era alegria pra tudo quanto é lado era versinho de marchinha, música de Baiana trio de um rio de gente, era mar depois de um carnaval a gente nunca sabe o que fica Salvador meu amô, sente essa música dança comigo, me dá teu colar? segura a minha mão, me deixa ficar tô aqui depois de um carnaval a gente nunca sabe quem chega na bagunça da casa , arruma essa vida acalma tua alma é ser feliz demais nessa terra eu preciso é dormir chega ele, depois de um carnaval a gente nunca sabe quem é se confunde com o tudo, olha para os lados, o caminho sumiu volta - se ao mundo, o novo te assusta? eu não sei o que é ser mas, depois desse carnaval na Bahia, tudo é.

Infâmia

receita:  no primeiro dia, chore,  no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas.  no terceiro dia, escute sua música predileta  e, dance.  na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de  desilusão.  vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos  até o dedinho do seu pé vai doer,  porque sentir sempre dói  sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós  já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue  porque daqui 30 dias vem um carnaval