Bauman já
desenvolveu bem melhor que qualquer um de nós a ideia das relações do mundo
contemporâneo, afinal a gente bem sabe que "vivemos tempos líquidos nada é
para durar". Aqui só vai algumas impressões (im) pessoais da realidade.
Hoje as relações, sejam de que espécie forem podem ser vividas de diferentes
modos, afinal "consideramos justa toda a forma de amor", e vai
me dizer que isso não é maravilhoso? Mas, tem que ter amor; e essa palavra tem
um peso que a maioria das pessoas não está disposta a carregar nos ombros; e eu
não tô aqui falando de amor romântico, apesar de eu (ainda) acreditar nesse
tipo de coisa, agora não me julguem, eu sou daquelas que ainda acha que vai
casar. Eu tô falando aqui de um amor meio Leminski que não acaba mais se
transforma, de um amor meio Drummond que hoje beija e amanhã não beija, eu tô
falando de um amor com o outro, que talvez não dure pra sempre, mas não escorre
entre os dedos e nem se desmancha no ar. Eu tô falando de um amor que deveria
estar em todas as coisas que a gente faz nessa vida, não é feio amar. As
facilidades do mundo moderno e a atualização constante da realidade parecem
contribuir para que do mesmo modo que a gente troca de celular, a gente também
troque de amigos (as), de parceiro (a), de companheiro (a); o problema não é o
tempo em si, ele não trabalha contra as nossas relações, o problema é o modo
como a gente lida com o tempo da nossa vida, e, principalmente como a gente
lida com as pessoas que estão nesse tempo, afinal, me parece que aqui ninguém é
um celular. As relações não implicam necessariamente um dar certo ‘ad infinitum’, mas elas necessariamente
implicam o que eu entendo por responsabilidade emocional para com o outro e
para consigo mesmo, achou pesado esse termo: ‘responsabilidade’? Eu não, porque
ele e tantos outros termos, como respeito, por exemplo, estão essencialmente ligados
ao que eu entendo e chamo de amor nesse texto e por essa vida afora. O amor da
sua vida pode existir (ou se vc quiser, também não), pode ser romântico ou não,
ele pode durar um tempo longo ou um tempo curto, afinal quanto tempo dura o tempo?
depende dos calendários que a gente faz, mas em tudo as relações
necessariamente tem que ser amor. Não são as facilidades dos tempos modernos
que separam as pessoas, somos nós que nos separamos de tudo e, por vezes de nós
mesmos. Os tempos podem até ser chamados de líquidos, mas o amor não é pra ser.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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