A doce música cessou, as luzes se apagaram como o piscar dos meus olhos salgados de tantas lágrimas. Eu não me coloquei diante dos medos para fugir, não corri riscos pra me perder assim. Não fiz planos para você rabisca-los, a disposição da minha fala, remete ao teu não falar que ensurdece a minha mais nobre poesia. Vejamos, meu bem, dá valor ao que vale. Sua existência é breve e seus dias leves como o vento que me fez te ver de outras formas, disformes e reformulando a minha concepção mundana de desejar o que há do outro. O que há de errado aqui? O que te fez, não fará mais, não olhe pra trás, pegue suas poucas coisas e segue o teu caminho, que não cruzou com o meu, há anos passados. Repasse a limpo suas frases, dirija-se a mim como se não conhecesse a essência do que há por dentro, o intrínseco, intimo do desvelar. Não pretendo revelar teus segredos, não há o que contar, quando nunca se soube. Há sombras demais cobrindo sua terna face, e eu nunca poderia te observar, como você me viu, de longe, paradoxalmente opondo os meus conceitos. Ir nunca significou deixar, mas apenas tomar outro rumo, há tantos quanto você desejar, então faça o melhor, o melhor nem sempre é o certo, como dizem os clichês, mas vá, segue em frente antes que você se atrase, pro mundo que cá eu estou há tempos.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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