A doce música cessou, as luzes se apagaram como o piscar dos meus olhos salgados de tantas lágrimas. Eu não me coloquei diante dos medos para fugir, não corri riscos pra me perder assim. Não fiz planos para você rabisca-los, a disposição da minha fala, remete ao teu não falar que ensurdece a minha mais nobre poesia. Vejamos, meu bem, dá valor ao que vale. Sua existência é breve e seus dias leves como o vento que me fez te ver de outras formas, disformes e reformulando a minha concepção mundana de desejar o que há do outro. O que há de errado aqui? O que te fez, não fará mais, não olhe pra trás, pegue suas poucas coisas e segue o teu caminho, que não cruzou com o meu, há anos passados. Repasse a limpo suas frases, dirija-se a mim como se não conhecesse a essência do que há por dentro, o intrínseco, intimo do desvelar. Não pretendo revelar teus segredos, não há o que contar, quando nunca se soube. Há sombras demais cobrindo sua terna face, e eu nunca poderia te observar, como você me viu, de longe, paradoxalmente opondo os meus conceitos. Ir nunca significou deixar, mas apenas tomar outro rumo, há tantos quanto você desejar, então faça o melhor, o melhor nem sempre é o certo, como dizem os clichês, mas vá, segue em frente antes que você se atrase, pro mundo que cá eu estou há tempos.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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