Você sorri, eu engulo o choro, sem água, com soluços, sem demora. Na tentativa vã de disfarçar um medo eu abraço o mundo, volto pra casa, quero colo. A carência da não auto-suficiência de um eu perdido. Desejo tudo, ando depressa, não meço o passo, corro o risco mas, sinto muito. O universo conspira a meu favor, a simétrica arte de escrever foi dada, a inabalável coluna construída mas, foi ao chão. Um incrível dom de expressão, fala, motivos e desajeito. Desembaralhando as cartas do baralho eu sou feliz mas, há pessoas lá fora. Houve um tempo que era mais fácil, mas deixou de ser. Sufoco um grito, apago os grifos, como se não tivesse ido mas, já há marcas. Ouço passos apressados, vozes agudas, tons altos mas, me sento. Há coisas desconhecidas, caminhos cruzados,muito futuro mas, pouco presente. Garganta seca, sinto sede de mar, tristeza de criança mas, dia se foi. Não está bem, esvazio o copo, encho as mãos mas, continuo profunda. O inverso do desafeto, o inverno está indo mas, ansioso e depressa. Esperamos então tons de alegria, em flores de primavera mas, seja simples. Pois, continuo sentada.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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