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Poema da Primavera

Você sorri, eu engulo o choro, sem água, com soluços, sem demora. Na tentativa vã de disfarçar um medo eu abraço o mundo, volto pra casa, quero colo. A carência da não auto-suficiência de um eu perdido. Desejo tudo, ando depressa, não meço o passo, corro o risco mas, sinto muito. O universo conspira a meu favor, a simétrica arte de escrever foi dada, a inabalável coluna construída mas, foi ao chão. Um incrível dom de expressão, fala, motivos e desajeito. Desembaralhando as cartas do baralho eu sou feliz mas, há pessoas lá fora. Houve um tempo que era mais fácil, mas deixou de ser. Sufoco um grito, apago os grifos, como se não tivesse ido mas, já há marcas. Ouço passos apressados, vozes agudas, tons altos mas, me sento. Há coisas desconhecidas, caminhos cruzados,muito futuro mas, pouco presente. Garganta seca, sinto sede de mar, tristeza de criança mas, dia se foi. Não está bem, esvazio o copo, encho as mãos mas, continuo profunda. O inverso do desafeto, o inverno está indo mas, ansioso e depressa. Esperamos então tons de alegria, em flores de primavera mas, seja simples. Pois, continuo sentada.

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receita:  no primeiro dia, chore,  no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas.  no terceiro dia, escute sua música predileta  e, dance.  na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de  desilusão.  vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos  até o dedinho do seu pé vai doer,  porque sentir sempre dói  sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós  já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue  porque daqui 30 dias vem um carnaval

Volta - se a ser

depois de um carnaval a gente nunca sabe o que é ficou vazio, o que era cheio de coisa era alegria pra tudo quanto é lado era versinho de marchinha, música de Baiana trio de um rio de gente, era mar depois de um carnaval a gente nunca sabe o que fica Salvador meu amô, sente essa música dança comigo, me dá teu colar? segura a minha mão, me deixa ficar tô aqui depois de um carnaval a gente nunca sabe quem chega na bagunça da casa , arruma essa vida acalma tua alma é ser feliz demais nessa terra eu preciso é dormir chega ele, depois de um carnaval a gente nunca sabe quem é se confunde com o tudo, olha para os lados, o caminho sumiu volta - se ao mundo, o novo te assusta? eu não sei o que é ser mas, depois desse carnaval na Bahia, tudo é.
A vida tende a ser infinita em sonhos Tende a ser bonita em planos Tende a ser triste sem você A vida tende a ser real aqui. Dedicado ao meu eterno amigo Renan.