Você sorri, eu engulo o choro, sem água, com soluços, sem demora. Na tentativa vã de disfarçar um medo eu abraço o mundo, volto pra casa, quero colo. A carência da não auto-suficiência de um eu perdido. Desejo tudo, ando depressa, não meço o passo, corro o risco mas, sinto muito. O universo conspira a meu favor, a simétrica arte de escrever foi dada, a inabalável coluna construída mas, foi ao chão. Um incrível dom de expressão, fala, motivos e desajeito. Desembaralhando as cartas do baralho eu sou feliz mas, há pessoas lá fora. Houve um tempo que era mais fácil, mas deixou de ser. Sufoco um grito, apago os grifos, como se não tivesse ido mas, já há marcas. Ouço passos apressados, vozes agudas, tons altos mas, me sento. Há coisas desconhecidas, caminhos cruzados,muito futuro mas, pouco presente. Garganta seca, sinto sede de mar, tristeza de criança mas, dia se foi. Não está bem, esvazio o copo, encho as mãos mas, continuo profunda. O inverso do desafeto, o inverno está indo mas, ansioso e depressa. Esperamos então tons de alegria, em flores de primavera mas, seja simples. Pois, continuo sentada.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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