Não se supra do lugar que você não ocupa. Vamos esquecer da rotatividade da terra em seu movimento quase perfeito de aproximação dos corpos. Esqueça os caminhos, que por direito ocuparam sem avisar. O verão ainda não se atreve a despontar, o sol vem, vindo forte e a chuva tímida, cálida, calamos nossa voz pra vê-la cair, na doce viagem dos nossos sentidos misturados, vivos, enfim, assim. Espere calmamente a adaptação da nova estação que se achega no ar, nossos esforços estão pesados, e nossos braços cansados. Mas o que há de vir, advém do muito, tudo ou quase nada. Nada contra a correnteza, desliza entre os artifícios, corrói o que separa o teu desejo do meu. Assim, enfim novamente, tão bem, meu eu, sem o teu acostuma-se, desacostumado a nova falta que os móveis desarrumados pela minha dança causam. Cause seu tempo, na temporalidade rápida que lhe afeta como afeto, afago digno de mãos entreabertas, prontas para a imensidão de espaços vazios que há na ínfima parte do teu lugar, assim, enfim, mais uma vez, aqui ou ai.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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