Não se supra do lugar que você não ocupa. Vamos esquecer da rotatividade da terra em seu movimento quase perfeito de aproximação dos corpos. Esqueça os caminhos, que por direito ocuparam sem avisar. O verão ainda não se atreve a despontar, o sol vem, vindo forte e a chuva tímida, cálida, calamos nossa voz pra vê-la cair, na doce viagem dos nossos sentidos misturados, vivos, enfim, assim. Espere calmamente a adaptação da nova estação que se achega no ar, nossos esforços estão pesados, e nossos braços cansados. Mas o que há de vir, advém do muito, tudo ou quase nada. Nada contra a correnteza, desliza entre os artifícios, corrói o que separa o teu desejo do meu. Assim, enfim novamente, tão bem, meu eu, sem o teu acostuma-se, desacostumado a nova falta que os móveis desarrumados pela minha dança causam. Cause seu tempo, na temporalidade rápida que lhe afeta como afeto, afago digno de mãos entreabertas, prontas para a imensidão de espaços vazios que há na ínfima parte do teu lugar, assim, enfim, mais uma vez, aqui ou ai.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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