Aptidão para escrever em dias alegres eu nunca tive, mas de repente haviam coisas voando por aqui pedindo para serem postas no papel. Eu me peguei pensando em um passado com cheiro de futuro e cara de presente, eu percebi que lembrava de ontem, de hoje e de amanhã que acabou de chegar. Estranho falar daquilo que a gente não conhece, chorar por algo que não era nosso, ou gostar daquilo que não se pode ter. Incerto é ser assim feito eu que falo sem parar, sem pensar e sem dizer uma só palavra. Feito nós cheios da procura incessante do convite mais certo, do dia mais claro, do olhar mais furtivo, da vida mais longa. Há coisas aqui precisando achar lugar no papel, há histórias demais jogadas por aí. Pois, com a chuva eu não tive tempo de passar a limpo aqueles rabiscos e linhas mal feitas, já que ela mesma tratou de apagar pra fazer tempestade no novo copo d’água que ficou cheio por aqui. Parece que há mais coisas do que se imagina espalhadas, procurando um só lugar no nosso papel.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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