Não é nada como uma crise. É algo como um vazio do ser de outro, da companhia, do verso, estrofe,do som alto e desenvolto. Precisa-se de mais almas menos ausentes, corpos serenos, mãos apertadas. E o que há de mais bonito em toda a completude. Se não há infinito, que haja finito apenas, breve,contente e possível. Não importando assim toda a loucura que nos rodeia, enfim seremos como normais dançando embaixo da chuva, comendo chocolate e pipoca ou jogando conversa fora pelos dias afins. E quem não espera? Um tipo de amplitude maior daquilo que já se possui, uma soma, um lapso de frio na espinha ou quem sabe um canto não mais sozinho. É tão impreciso como futuro, contingente como meus bons feitos e necessário para o mundo girar, na sua volta de roda gigante nada romântica. Não se tem grandes pretensões em certos dias do ano, mas quando se dorme quer se um lado, quando se chora um ombro, quando esfria um cobertor, quando faz calor um ventilador, um mar, um boa noite. Breve, constante, forte, em um ímpeto susto ou na calma das vozes aflitas, haveria espera, por uma saudade ou um beijo, por uma tristeza ou alegria, por dinheiro ou comida, por quem foi e não avisou, por quem deixou só uma carta e por quem ainda nem bateu na porta de casa.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
meu Deus! que força o seu poema! cada palavra mexeu dentro de mim. assim, nunca tinha visto isso.
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