Não é nada como uma crise. É algo como um vazio do ser de outro, da companhia, do verso, estrofe,do som alto e desenvolto. Precisa-se de mais almas menos ausentes, corpos serenos, mãos apertadas. E o que há de mais bonito em toda a completude. Se não há infinito, que haja finito apenas, breve,contente e possível. Não importando assim toda a loucura que nos rodeia, enfim seremos como normais dançando embaixo da chuva, comendo chocolate e pipoca ou jogando conversa fora pelos dias afins. E quem não espera? Um tipo de amplitude maior daquilo que já se possui, uma soma, um lapso de frio na espinha ou quem sabe um canto não mais sozinho. É tão impreciso como futuro, contingente como meus bons feitos e necessário para o mundo girar, na sua volta de roda gigante nada romântica. Não se tem grandes pretensões em certos dias do ano, mas quando se dorme quer se um lado, quando se chora um ombro, quando esfria um cobertor, quando faz calor um ventilador, um mar, um boa noite. Breve, constante, forte, em um ímpeto susto ou na calma das vozes aflitas, haveria espera, por uma saudade ou um beijo, por uma tristeza ou alegria, por dinheiro ou comida, por quem foi e não avisou, por quem deixou só uma carta e por quem ainda nem bateu na porta de casa.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
meu Deus! que força o seu poema! cada palavra mexeu dentro de mim. assim, nunca tinha visto isso.
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