A vida passa assim, passageira pela janela de casa sem deixar muitos rastros, poucos passos, muitos gastos. Parece até mesmo que não vivemos tudo o que é possível, não há maneiras de se dizer o vasto, o contínuo e toda a loucura que nos cerca. Construímos paredes,muros, dispersamos em meio ao mundo, sem data, sem nome, sem pudor. Não há nada que me impressione lá fora e aqui dentro tudo já se acostumou a mim. Nossas relações fugazes e eternas, nossos suspiros e espirros, um ar sem fôlego. Há olhares perdidos, achados em meio a corpos desconhecidos. Em meio a tantos fins não há disposição de viver as dores dos abraços de despedida, dos empregos perdidos,dos amores não correspondidos. E de repente o que era machucado, tornou-se cicatriz. E todo o resto se desfez em nossa frente. Não tenham medo, meus caros. Viver exige demais, a mais, um preço válido.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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