A vida passa assim, passageira pela janela de casa sem deixar muitos rastros, poucos passos, muitos gastos. Parece até mesmo que não vivemos tudo o que é possível, não há maneiras de se dizer o vasto, o contínuo e toda a loucura que nos cerca. Construímos paredes,muros, dispersamos em meio ao mundo, sem data, sem nome, sem pudor. Não há nada que me impressione lá fora e aqui dentro tudo já se acostumou a mim. Nossas relações fugazes e eternas, nossos suspiros e espirros, um ar sem fôlego. Há olhares perdidos, achados em meio a corpos desconhecidos. Em meio a tantos fins não há disposição de viver as dores dos abraços de despedida, dos empregos perdidos,dos amores não correspondidos. E de repente o que era machucado, tornou-se cicatriz. E todo o resto se desfez em nossa frente. Não tenham medo, meus caros. Viver exige demais, a mais, um preço válido.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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