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Sobra de Hoje

Hoje não há planos, há uma leve marca no rosto de alguns tempos que se passaram por mim. Ri o quanto pude, chorei por quase tudo, e o que se leva da vida? As rugas na cara, o cabelo branco, as pernas cansadas, os sapatos no armário. Brinquei de ver desenho em nuvens, mas queria mais algodão doce. Sentei no colo de mãe, mas podia mesmo era nunca ter saído de perto. Fiz uma estrada com voltas, curvas e a passos largos eu quis ganhar o mundo. Sonhei ter filhos, uma casa de campo e um amor infinito. Não há príncipe e nem cavalo branco. E por que enganam as crianças? Não é que eu esteja triste, apenas há vida demais em mim. O medo tem codínome futuro. Vem disfarçado de incertas palmas, uma bela platéia e um ator principal. Um jogo, um teatro, uma voz, tantas músicas com festa ou silêncio, o efêmero vulto da vida passa. Chegam os anos, os meses, o casamento e as separações de roupa, comida e alma. E quem teve sossego? Apontamos  para o lado, olhamos pra outro e então, há o vazio. Não é de gente, não é de bicho, não é de palavra ou de alegria. Mas, quem sabe é de loucura.

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Infâmia

receita:  no primeiro dia, chore,  no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas.  no terceiro dia, escute sua música predileta  e, dance.  na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de  desilusão.  vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos  até o dedinho do seu pé vai doer,  porque sentir sempre dói  sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós  já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue  porque daqui 30 dias vem um carnaval

Volta - se a ser

depois de um carnaval a gente nunca sabe o que é ficou vazio, o que era cheio de coisa era alegria pra tudo quanto é lado era versinho de marchinha, música de Baiana trio de um rio de gente, era mar depois de um carnaval a gente nunca sabe o que fica Salvador meu amô, sente essa música dança comigo, me dá teu colar? segura a minha mão, me deixa ficar tô aqui depois de um carnaval a gente nunca sabe quem chega na bagunça da casa , arruma essa vida acalma tua alma é ser feliz demais nessa terra eu preciso é dormir chega ele, depois de um carnaval a gente nunca sabe quem é se confunde com o tudo, olha para os lados, o caminho sumiu volta - se ao mundo, o novo te assusta? eu não sei o que é ser mas, depois desse carnaval na Bahia, tudo é.
A vida tende a ser infinita em sonhos Tende a ser bonita em planos Tende a ser triste sem você A vida tende a ser real aqui. Dedicado ao meu eterno amigo Renan.