Hoje não há planos, há uma leve marca no rosto de alguns tempos que se passaram por mim. Ri o quanto pude, chorei por quase tudo, e o que se leva da vida? As rugas na cara, o cabelo branco, as pernas cansadas, os sapatos no armário. Brinquei de ver desenho em nuvens, mas queria mais algodão doce. Sentei no colo de mãe, mas podia mesmo era nunca ter saído de perto. Fiz uma estrada com voltas, curvas e a passos largos eu quis ganhar o mundo. Sonhei ter filhos, uma casa de campo e um amor infinito. Não há príncipe e nem cavalo branco. E por que enganam as crianças? Não é que eu esteja triste, apenas há vida demais em mim. O medo tem codínome futuro. Vem disfarçado de incertas palmas, uma bela platéia e um ator principal. Um jogo, um teatro, uma voz, tantas músicas com festa ou silêncio, o efêmero vulto da vida passa. Chegam os anos, os meses, o casamento e as separações de roupa, comida e alma. E quem teve sossego? Apontamos para o lado, olhamos pra outro e então, há o vazio. Não é de gente, não é de bicho, não é de palavra ou de alegria. Mas, quem sabe é de loucura.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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