Não é nada pessoal moço, mas eu fui com a tua cara, com o teu compasso, com a tua marcha lenta, mas voltei de ré, no mesmo pé em que fui. Eu ando meio desapropriada da vida, não estou muito bem tomada de mim, ao contrário, o mundo apressado me tomou de sobressalto e levou assim todas as coisas que amei. Mas, o que amei,amei também ter amado ou apenas amei? Me perdi de mim, me perdi em mim e de todos vocês, admirei então todo o resto, o que restou, foi sobra, só não sobrou o que eu achava que queria, e porque queria? Por que eu sempre acho que falta a falta e derrama a sobra que é pra guardar. Assim fez um calor danado quando não podia, esfriou no resfriado e ele me deixou, a não ver navios. Não vi mais 'nada' e vi tudo, uma síntese do paradoxo, mas não de mim, dos outros, porque moço isso aqui não é pessoal, entenda bem e leia de novo.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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