Não é nada pessoal moço, mas eu fui com a tua cara, com o teu compasso, com a tua marcha lenta, mas voltei de ré, no mesmo pé em que fui. Eu ando meio desapropriada da vida, não estou muito bem tomada de mim, ao contrário, o mundo apressado me tomou de sobressalto e levou assim todas as coisas que amei. Mas, o que amei,amei também ter amado ou apenas amei? Me perdi de mim, me perdi em mim e de todos vocês, admirei então todo o resto, o que restou, foi sobra, só não sobrou o que eu achava que queria, e porque queria? Por que eu sempre acho que falta a falta e derrama a sobra que é pra guardar. Assim fez um calor danado quando não podia, esfriou no resfriado e ele me deixou, a não ver navios. Não vi mais 'nada' e vi tudo, uma síntese do paradoxo, mas não de mim, dos outros, porque moço isso aqui não é pessoal, entenda bem e leia de novo.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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