De repente a campainha toca, mas eu tô com uma preguiça de levantar daqui, eu tô com preguiça da cidade lá de fora, eu tô com preguiça dos conceitos pré - estabelecidos, da sua moral barata, do shopping lotado de gente vazia. Eu tô fechada pra você, tô chata pra visita, tô sem papo por hoje, eu tô quieta sim, porque o romance já não comove, o poema não sai e a casa tá cheia. Eu bato palmas sem saber, eu sei o que não devia comentar, o mundo é um show de ingresso caro e a gente paga com a vida pra viver aqui. E quem será que a gente tenta enganar? É claro que Papai Noel não existe, que ficar rico a gente não vai, que sentir algo assim e não gritar é enganar a si mesmo, mas minha mãe me enganou quando disse que o remédio era bom, que injeção não doía. O mundo engana, a gente tenta enganar o mundo, o mundo dos outros e o nosso; assim o príncipe vira sapo, o sapo some, a princesa chora, as lágrimas secam, vira mocinha, que não lê contos de fadas, que não tem medo de escuro e que de repente a campainha toca
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
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