Não estamos sós, já não somos um, estamos face a face com o vazio de ser algo que nunca sabemos o que é. Estamos presos aos conceitos pré-definidos pelas ciências exatas, humanas ou da nossa moral que se diz desviada dos nossos pais. Planejando o futuro de ser feliz pra sempre, esqueço da alegria por agora, e dos 'agoras' que se fazem os amanhãs, os anos afins. Estampado na cara os sorrisos bonitos,as filosofias baratas e os sentimentos comprados nas lojas da esquina. As relações mudaram o foco, os fatos, os pronomes se tornaram possessivos, somos dos outros para observação, investigação e deleite. Mas, quem me tomou de mim? De assalto perdi meu lugar no mundo; quis então tomar posse do alheio; a auto - afirmação em si de mim no outro. Mas, quem deixou ser tomado? Todos os vazios de si que não sabem o que são, presos, perdidos quem sabe, em outros alheios.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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