Era domingo ou era segunda, tanto faz. Lá fora tinham carros passando, apressados pelo tempo que passa violento, cortando a nossa pele e todos os nossos sonhos; abri então a janela, sempre amei janelas, porque elas são a representação da liberdade; o vento soprou um ruído de alma perdida em meio a multidão de toda essa gente lá fora. Gente que ama sem saber direito o que, gente que trai, que engana, que não se perdoa, que chora todo o dia, que ri de tudo ou de quase nada, um tipo de gente assim como eu ou como você. Mas, Pra que? Pra que trair e amar um engano, pra que chorar antes e rir de si, pra que perdoar o erro que não foi seu.Não há filosofia pra isso e nem livros de princesas que dê final feliz a toda essa confusão que virou o mundo. A minha mentira tornou-se a tua verdade, o riso não tem graça, o grito não tem som, a palavra não tem voz, a traição é o vazio, o amor é conceito, a música tá sem melodia, a poesia sem letra, o príncipe sem cavalo (e ele vai se atrasar). A gente está em pé esperando eu não sei o que, o dinheiro que nunca vamos ganhar, o amor da nossa vida que se perdeu, deixou ir ou nem se quer viu, aquele estranho com quem a gente dormiu e gostou, aquela música que eu não sei o nome, aquela ressaca de vinho caro, aquela saudade que eu não senti, aquela vadia passar na minha frente de novo. Eu não sei, se pra vocês é como pra mim, onde o mar é bonito, o céu é um quadro, o avião é alegria, o vento é um sopro e a chuva é um choro, o infinito é um desejo e eu sinto um pouco de tudo e por tudo eu sinto muito. Parece ser isso a vida, uma ordem de fatos, fatores, sentidos, sentimentos e conceitos subjetivos que a gente tenta encaixar em um quebra cabeça onde faltam peças até o fim.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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