Tem uma tal de alegria invadindo aqui, porque hoje eu lembrei daquele vento da tua sacada,que dava pra rua da padaria. Que saudade lembrar da tua casa grande e bonita, cheia de gente rindo das minhas histórias. A menina do sul vinda do frio, querendo conhecer a origem da própria alegria. Chegou como nada e de repente fez parte de tudo. Eu não conhecia a imensidão do mar e ontem me lembrei daquela brisa, que invadia os nossos almoços na beira da praia. Daquele sotaque que fez um coração bater mais forte e daquele abraço, que faz até hoje uma lágrima cair desses olhos. Quantos risos daquelas festas de rua, daquelas noites passadas em claro e daqueles telefonemas no dia seguinte pra contar as noticias. A que vontade de voltar para perguntar mais uma vez: Porque o sol nasce tão cedo aqui mesmo? Ou, pra dizer com aquela cara de boba, que lá na minha terra isso não se chama assim não. Pra ver aquela gente sofrida que traz no rosto uma felicidade, bem mais valiosa que todo o dinheiro que eu já vi. Pra ver as estradas daquele sertão, que tem cravado no chão a minha história. Ah que vontade de voltar pra tomar aquele sorvete gigante de novo, enquanto olhamos os livros que estão escritos em nossas mãos. Queria aquele espanto de ver tanta gente vendendo coisas na rua e aquela vontade louca de comprar um pedaço daquele lugar. Aquela caminhada do fim da tarde cansada de casa, aquele banho de noite pra espantar o calor. Sentir aquela emoção do riso do encontro, do choro da despedida, do amor rápido e constante, da dor da saudade. Vem, que eu decidi voltar mais um pouco, quem sabe talvez eu volte pra sempre pro meu lugar, junto do teu, como é nosso o melhor lugar do mundo.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
Camila ?!?!
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