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Choveu

Não temos do que ter medo, minha partida já é certa desde o dia em que sentei ao seu lado, parti dali e você não se importou, parti tantas vezes de avião, de ônibus, pra longe, ver o mar, o amor, voltei pra casa tantas vezes e você não se importou. Por que eu ia voltar? Não. É porque a partida só existe quando fomos e quando vamos somos apenas lembranças, não existimos na realidade e se não existimos na realidade concreta, somos lembranças e lembranças são duramente esquecidas, as vezes ou sempre e então não são mais nada. Veja bem,  é como uma lei da vida, somos a chuva que caiu anteontem e hoje é só memória, foi tão boa, não foi? O barulho, o cheiro, o gosto da chuva, mas a terra secou,porque veio o sol. Sempre vem sol depois de chuva e chuva quem sabe outro dia e nunca a mesma chuva, porque assim como ela voltamos (quando voltamos) diferentes. Isso não tem nada de drama e nem de história de amor mal acabada, acaba sempre pra quem sabe pontuar bem essas páginas da vida. Amor, não se preocupe nem você e nem eu vamos sofrer, somos fortes, não choramos, duros feito pedras moles. A ausência é como a morte temos medo dela,  porque ela ainda não existe, ela está apenas no futuro das nossas previsões, já que quando ela existir não teremos medo, porque já não seremos mais, seremos ausência. E na ausência se não somos nada, como você sentirá minha falta e eu a sua? Não sentiremos, a presença torna as coisas reais, a ausência, fictícias.  Acostume-se amor, outras chuvas virão e outro sol e uma nova terra, vou partir ver o mar, ter uma casa de cortinas brancas  que balançam com ventos que não sopram aqui, terei um vestido de pedras que brilham e que sabe um novo amor que não será chuva. 

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