Quem é você que vive e que ama? Quem somos nós que amamos tanto, tantos e outros e agora, depois, pra nunca mais olhar pra trás, pra não falar mais. Não minta para si mesmo meu caro, quem é você que ama um e deseja tantos, são seus olhos que não são impedidos por esse amor de ver toda essa beleza das curvas humanas que contornam o universo. Será então fantasia ou ficção esse amor puro que só deseja um, que se veste do um, que se move no um; mas o mundo é tão múltiplo, são múltiplos corpos, de um desejo sem fim, são faces escuras tentando uma luz, apagando, acedendo. Meu amor não se esconda, atrás das suas mãos sujas, não faça falsas promessas daquilo que eu também não vou cumprir. Quem é você, quem somos nós com esse amor, que fere, que mata, que desama, que desanda nas ladeiras dos carnavais, que é lembrança como água do mar, que aquece quando esfria, que é tão frio que queima, que dói, que dor. É você com esse livro debaixo do braço e contas pra pagar que planeja amar? Até quando? Até que esquina? E por que tanto ou nada? Quem somos nós com instintos tão carnais, é pra sobreviver, é pra amar? Vestidos com amor, calçados de paixão e armados de vingança, estamos nós escrevendo histórias de amor para os livros, inspirando tantos poemas de Drummond, secando as lágrimas na roupa, casando, tendo filhos ou deixando tudo de lado, as roupas, as armas e o amor.
receita: no primeiro dia, chore, no segundo dia, limpe a casa, recolha suas roupas. no terceiro dia, escute sua música predileta e, dance. na semana seguinte escreva uns versinhos infames e chame-os de desilusão. vai soar bonito, eu aposto e juro que nesses dias todos até o dedinho do seu pé vai doer, porque sentir sempre dói sentir é justamente a percepção da matéria estranha a nós já dizia por aí alguma filosofia, e nos outros dias que sobram só, continue porque daqui 30 dias vem um carnaval
Comentários
Postar um comentário