Completando mais um ano, nessas datas a gente começa ficar um pouco mais sentimental, quer ter os amigos perto, a família dando presentes, ter encontrado o amor da nossa vida, dependendo da quantidade de anos que se completa queremos até filhos e uma casa grande. E se não? E se a gente não quiser? E se a gente não tiver? Não sei vocês, mas quando eu era criança só queria uma festa, um vestido de princesa e ser bonita também. Depois veio o sonho de completar 18, morar sozinha e ficar bêbada de vez em quando ou quase sempre. E ai se foram tantos copos e com eles tanto amor, avião subiu, desceu, o mar abriu o tempo fechou, casamentos e separações, minhas amigas e seus filhos. Eu olho para trás e vejo alegria, vejo carinho e satisfação de ter abraçado tanta gente, chegue mais! Vejo que no rio de casa passou muita água, que a cerveja já foi mais barata e que os tempos já foram melhores. Mas, que bom que estamos vivos nos tempos ruins. É tanta vida que é como se a música que eu ouvi no carnaval de 2010 ecoasse cada dia na minha cabeça todos os dias: "tu vens e eu já escuto os teus sinais". Esses sinais de vida que vem quando a gente pisa na areia, quando a chuva cai, quando a gente percebe que está vivo e que isso tudo em volta é amor e se não é, joga fora minha gente! Completando mais um ano, eu só tenho a amar o mundo e retribuir todos os amores lindos e feios, as cervejas, os vinhos e as champagnes, as praias, os carnavais e os livros que ele me deu. É claro que o choro é livre, viver também corta, despedaça, aquela coisa toda do pote de sorvete e chocolate. Mas, a gente supera! Supera o príncipe encantado, o felizes para sempre, só o cartão de crédito que não, esse não, por favor. Espero chegar na velhice, lembrando das músicas que tocaram e eu dancei, das ladeiras que subi, de todos que amei e foram, embora mesmo, das linhas intermináveis da minha dissertação e que venha o doutorado, por favor; que eu tenha rugas, se possível netos, que eu tenha dinheiro do contrário vou a falência, que as boas energias andem sempre conosco, que os amigos se multipliquem, que a cerveja seja sempre gelada, que o mundo seja meu e que eu seja sempre do mundo inteiro! Obrigado mundo pelos meus 24 anos de amor.
Ando meio dependente dos chocolates, das músicas e dos livros. Sempre quis estar aqui onde eu estou, sim, eu consegui tudo e mais um pouco do mundo. Um total inacreditável pelo meus poucos anos de vida. Fiz amigos, desfiz amizades. Engoli o choro e dei sorrisos longos, altos e mornos.Vi demais, me conformei pouco e não aprendi a falar menos, dos mesmos assuntos, de maneiras diferentes. Eu cai aqui e descobri todas as infinitas possibilidades de ser o que se quer de não ter para a vida. Não sei bem se tenho todas as respostas pra tudo, como diz minha mãe, mas talvez eu tenha uma certa retórica movida a doces,gente e cadernos. Não tive tempo de me acostumar a esse tempo fora de mim, mesmo estando ainda mais dentro de mim. Como é isso menina? Não sei, não sei bem e nem mal , mas é hora de sair. (Não gosto de dedicatórias, mas é impossível deixar de relatar esses 4 anos que estão acabando.)
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